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domingo, 17 de junho de 2012

Stay in touch



Garçon Garçon são Nathan Mahon (vocal / guitarra) e Nick Tsirimokos (sintetizadores / produção) uma banda electro pop de Sydney, Austrália. Eles têm vindo a fazer muito barulho no cenário mundial desde que lançou suas primeiras demos e 'ficar em contato' single de estréia em 2011.
Combinando sintetizadores new wave e uma pitada de pop descarado, Garçon Garçon escrevem canções inteligentes, com ritmos cativantes. Vindo de diferentes mundos musicais de rock clássico e indie, a dupla conjura um som complexo que funde electro com uma sensação de filme adolescente dos anos 80. Sua única marca de pop electro-los tem sido apontado como a "banda a acompanhar" de 2012.
Os meninos já remixaram para o grande artista britânico PATRICK WOLF, ganharam fãs famosos como  o estilista Jeremy Scott, foram apresentados em: NME on-line, a revista Attitude, DNA, bem como definir a blogosfera em chamas com mensagens sobre: ​​Huffington Post, Stereo Big, Last FM, Hype Machine e Justiça Pop só para citar alguns.
Seu disco de estréia, intitulado simplesmente <EP> foi lançado em 14 de fevereiro de 2012.

sábado, 2 de junho de 2012

Um Rocker Belo

     O que nos leva a entrar em sala de bate papo? Que tipo de carência? Há quem arrisque dizer que quer fazer amigos, conversar e ver o que rola. Quem diz isso na verdade quer sexo. E quem diz que quer sexo realmente quer sexo. Mas tenho a impressão que a coisa fica cada vez pior. Além de querer putaria, as pessoas tem pressa. Quando conheci um garoto que parecia ter papo agradável e paciente, não tive medo de ir marcar outro encontro. Morava em um bairro próximo e era maior de idade. Papo bacana, inteligente e simpático. Combinamos de nos encontrar ao vivo. Fugindo do clichê virtual e ainda na pressa de nos encontrarmos logo pra não correr risco de desanimar ou achar alguém mais interessante. Nessa época ainda era possível encontrar isso.
     Marcamos para o dia seguinte em uma pracinha próxima ao hospital municipal da cidade, às 20 horas. Nos encontrar, conversar e realmente ver o que rolaria e se rolaria algo. Me arrumei, sai de casa todo cheiroso. Menti pra minha mãe e peguei ônibus para ir ao encontro. Já lá na pracinha pensei em esperar sentado, mas seria muito desagradável. Estava ansioso demais pra ficar parado. Fiquei disfarçando e em menos de três minutos o avistei. Não havia mostrado nenhuma foto e seria tudo surpresa. Características pessoais são fundamentais para um encontro desse tipo. E quando me disse para procurar ou esperar alguém com cabelo loiro, não imaginei que era amarelo tipo cantor Belo antigamente. Choque. Não esperava uma versão rocker. Realmente disse que gostava de rock e usava piercing, mas não tantos! Um no queixo, um no lábio, um na língua, um na sobrancelha e uns 5 em cada orelha! Foi o que consegui contar. Só não perdi totalmente o tesão de conversar com ele pra não ser deselegante de cair fora logo de cara. Diria que não havia gostado, depois de uma conversa básica e tudo estaria resolvido.
     Mas não foi bem isso que aconteceu. Me conquistou com a conversa o garoto! Foi legal, agradável! Demos risada de coisas engraçadas e de coisas sem graça nenhuma. O encontro durou aproximadamente uma hora. Foi uma hora inteira andando pelo bairro e não dava pra ir embora com um mero tchau. Beijamos sim. Foi interessante beijar alguém que usa piercing na língua. Tivemos que descer umas escadas escuras, por trás de uma fábrica pra ficarmos minimamente protegidos de algum xingamento ou pedrada. Próximos a rodovia que corta a cidade, mas se alguém fosse fazer qualquer coisa, dava tempo de correr. Beijamos, nos abraçamos e o cara foi carinhoso. Não forçou a barra e me fez acreditar que não estava a procura de sexo por sexo. Nos despedimos pouco depois e após entrar no ônibus de volta pra casa, me perguntei se haveriam mais brincos, piercings ou alargadores em outras partes do corpo dele. Trocamos telefone, mas eu decidi que não ligaria. Iria esperar. Trocamos msn, mas ele nunca me adicionou. Disse que não costumava usar. Poker face.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Manifestação

     Andava muito ocupado com minha militância ativa no movimento estudantil e criação da secretaria de gays e lésbicas do partido na minha cidade. Ainda tinha que estudar para as matérias da faculdade e me concentrar no trabalho. Até conciliava tudo direitinho, mas a política me ganhava em qualquer disputa de afazeres. Como no dia em que seguia para o trabalho normalmente quando o ônibus teve que mudar sua rota normal por que estava acontecendo um protesto de estudantes no centro da cidade. Ouvi o barulho e não entendi do que se tratava a princípio. Só quando disseram que era algum tipo de protesto lembrei que realmente aconteceria. As pessoas resmungavam e maldiziam os baderneiros que atrapalhavam e atrasavam suas rotinas. Enquanto eu vibrava. Adrenalina tomando conta de mim por inteiro.
     Ainda havia tempo antes de dar a hora de entrar no trabalho. Depender do transporte público sempre foi terrível e, ou chegava cedo demais ou atrasado. Não pensei duas vezes antes de saltar na parada seguinte e correr até o protesto que tomava conta de uma das principais avenidas. Encontrei algumas pessoas do partido e muita gente desconhecida também aderia à caminhada. Alguém me passou uma das grandes bandeiras do partido e segui atrás do carro de som empolgado. Segui com o protesto por uns 800 metros e entreguei a bandeira para alguém. Não poderia seguir até a câmara dos vereadores, destino final da manifestação. Não havia mais tempo. Segui até outro ponto de ônibus e instantes depois já estava chegando ao trabalho. Apenas a recepcionista percebeu meu atraso de quinze minutos. Fui direto para minha mesa e fingi estar ali há muito tempo, atolado de trabalho.
     Somente no dia seguinte ela veio até mim com ar irônico e superior, questionando onde mesmo eu havia me atrasado. Respondi com outra pergunta. O que ela estava querendo saber exatamente? Quem deve, teme. E fiquei pálido quando disse que havia uma foto minha na capa do jornal da cidade. O jornal que meu chefe lia todos os dias! Corri até a recepção para ver a tal foto. Enquanto procurava ela começou a rir do meu lado. Olhei a primeira página e não consegui me achar a princípio. Só depois percebi que ela estava mesmo pregando uma peça e me assustando. A foto mostrava um rapaz logo atrás do carro de som, segurando uma bandeira partidária, porém, era quase impossível ligar aquela figura da foto desfocada à minha pessoa. Só voltei a ficar tranquilo de verdade no outro dia, quando a nova edição chegou e percebi realmente que meu chefe não havia percebido nada daquela semelhança. Daquela mera coincidência.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Eles não eram Bambis!

     Quem ganhou o jogo do São Paulo? Contra quem mesmo ele jogou? Bom, isso tanto faz! Só queria saber se os torcedores vão ser motivo de chacota outra vez. Não sei de onde vem o termo "bambi" para quem torce para o tricolor paulista, mas acho nojento. É homofóbico e machista. E esse é um dos motivos pelo qual odeio o futebol e tudo que o cerca. Antigamente não era assim. Torcer para o São Paulo era sinal até de masculinidade. Digo isso lembrando do final da minha infância, pré adolescência. Lembro perfeitamente meus primos me zoando quando eu dizia que não torcia para time nenhum. Todos eram São Paulinos e riam quando eu fugia do assunto futebol nas discussões. Deviam me chamar de bicha pra baixo pelas costas e na minha frente era sempre a mesma baboseira. Queriam que eu entrasse na deles e morresse pelo time. Chorasse pelo time. Chegavam as vezes a brigar para saber quem sabia toda a escalação. Uma vez ganhei do meu pai uma carteira de presente com o símbolo enorme em alto relevo. Ridículo. No início não entendi a razão de ganhar aquilo. Só depois me disseram que ele havia comprado 4 iguais. Tipo promoção. Uma pra cada uma das crianças e todas do São Paulo.
     Tudo relacionado a futebol realmente me fazia mal. Não gostava de assistir na televisão muito menos jogar. E era sempre a mesma coisa. Entre a molecada que se matava pra fazer o gol eu estava no meio, mas era a exceção. Torcia contra só pra ficar mais tempo na reserva esperando no próximo time a jogar. Preferia ficar de fora. As vezes até boicotava. Fingia me machucar. Apesar disso, nunca fui agredido verbalmente por ninguém com termos pejorativos. Antes de me xingarem de boiola, soltavam o braço no meu primo mais novo. O caçula chato que sempre cortava o barato de todos. Ele sempre estragava tudo mesmo. Diferente de mim que disfarçava a má vontade com a bola. Minha pré adolescência foi assim. Só curtia mesmo futebol na copa do mundo, aí era só festa! Bandeirolas penduradas, asfalto da rua e rosto pintados, cornetas e barulho. Uma farra! Vai Brasil!
     Tive minha fase de acompanhar um campeonato do início ao fim. De torcer e saber o nome de todos os jogadores e posições em que jogavam. Até pedi uma camisa oficial de presente de aniversário, mas foi do Corinthians. Descobri anos depois que sou como a marchinha chata de carnaval do Silvio Santos. Meu coração é corinthiano! Meu cérebro, ainda bem, não é fanático por esse esporte! Principalmente nos dias de hoje, onde tanta canalhice esconde-se atrás disso. Nem vou comentar salários e falar sobre outros absurdos. Acho desnecessário. Resolvi escrever esse post apenas para expressar minha dúvida e revolta com essas chacotas e comparações entre torcedores do São Paulo e gays. Como se futebol definisse orientação sexual. E como sei que falar sobre, também não acrescentará nada na minha vida, vou encerrando por aqui. E isso tudo só por que veio a dúvida de quem ganhou o jogo...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Hora de se agasalhar!

     É difícil enfrentar a carência estando solteiro no inverno. E parece que é nessa época do ano que todo mundo a sua volta começa a namorar e muda status de relacionamento no facebook para enrolado, amizade colorida, noivo. Ninguém quer estar sozinho. Dói demais no peito sentir o corpo congelando e não ter alguém pra abraçar e te esquentar. É difícil levantar da cama (de solteiro) com o despertador berrando do lado e ter que ir se arrumar para o trabalho. Sem um beijo de bom dia ou um sorriso preguiçoso te convidando a voltar para a conchinha em que estavam. Todos estão felizes a sua volta. Na rua ou no trabalho. Parece que apenas você é o azedo no mundo todo. Os casais são felizes e não escondem isso. Esfregam a felicidade na cara de quem está na merda, sem compaixão. Pior quando dizem que ainda vai aparecer alguém bacana. Pro inferno esses que ficam esnobes ou se sentem superiores só por ter alguém pagando de namoradinho do lado! Passa inverno e estão todos solteiros de novo. 
     Dependendo da má fase em que estiver tendo que enfrentar, vai rolar até um casamento pra ir e que não há desculpa para dar e escapar da chatice. Casamento no inverno é o cúmulo do bullying contra um solteiro. Parece que só você e o padre são os solteiros. Se for evangélico então, conforme-se com a certeza de ser o único. As crianças te chamam de tio. E depois da festa, você ainda tem que deitar e tentar aguentar o frio mais uma noite, sozinho. Congelando. Odeio casais felizes! Odeio estar sozinho no inverno! Na televisão só tem gente namorando, trocando de namorado e matando os maridos e esposas pra ficar com amantes! Logo, eu é que estarei matando pra acabar com a palhaçada toda perto de mim! O jeito é se conformar mesmo. Sempre estou sozinho nos invernos e dia dos namorados, sempre! Vou é me agasalhar bem para além de solidão, não pegar também uma pneumonia. Enquanto a carência não me mata, vou disfarçar e me fingir solteiro feliz por opção própria!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ele só queria me comer! ( Final )

     Eu nunca disse que sou ou fui santo, apenas sou um pouco mais medroso do que deveria ser. O cara era ex de um amigo que estava quase todos os dias comigo, muita gente nos viu saindo juntos da festa, o dono da carona me viu descer na esquina da casa dele... Como não ter medo que virasse um problema? Também não dá pra negar que eu também queria. Queria muito. E não podia. Aí juntou também o medo e nervosismo  por ser minha primeira vez. O cara era experiente, charmoso, provavelmente bom de cama... Ficaria decepcionado com minha má desenvoltura na cama. Como agir? Deveria beijá-lo? Ele só queria sexo! Chegar na casa dele tirar a roupa e dizer "Vem, me come!" ou "Fica de quatro logo!"? Conversar? Haveria mesmo pizza? Enquanto andávamos devagar em direção ao abatedouro eu tentava ouvir meus pensamentos que estavam sendo atropelados pelas batidas do coração. Outra vez cogitei não seguir em frente e parei, mas ele me puxou novamente e disse que eu iria gostar. Da pizza. 
     Viramos a última esquina daquela rua e me deparei com o pequeno portão encostado. Tremi e perguntei se havia alguém em casa. Só consegui relaxar um pouco quando me disse que deixava mesmo o portão encostado por que estava quebrado e que estava morando sozinho há duas semanas. Quando o ex saiu de casa. Tomei um copo de água assim que me ofereceu algo para beber. Esperava que me lavasse o juízo e me desse força pra levantar e ir embora dali. Era loucura! Mas como estava a fim de cometer aquela loucura! E se ele risse quando eu tirasse a roupa? E se eu meu pau não subisse? Estava tão desesperado que nem percebi que ele ligou a TV e foi levar meu copo de volta pra cozinha. Permaneci imóvel algum tempo em dúvida até se estava respirando. Ele então sentou devagar ao lado e segurou em meu queixo devagar. Puxou-me pra si e me beijou. Um beijo bom. Não ótimo, inebriante, quente, sensual ou romântico. Um beijo comum de quem quer sexo por sexo. Ele então levantou-se, disse que iria comprar a pizza e me proibiu de sair de lá por qualquer motivo. Levaria dez minutos no máximo. Perguntou minha preferência e riu quando eu gaguejei a palavra calabresa. Saiu em seguida. 
     Era preciso pensar rápido. Ir embora? Pareceria ridículo! Nem deveria ter ido até lá. Ir embora e deixar um bilhete? Idiotice! Nem sabia onde tinha papel e caneta naquela casa. E se eu passasse um cheque? Eu nem estava preparado pra nada... E se dissesse que era ativo? Naquela loucura eu nem estava com tanto tesão assim, escolher papéis sexuais era demais. Ele devia ser ativo. Meu amigo era mais delicado que ele. Fiquei uns cinco minutos pensando essas coisas antes de correr para o banheiro. Sim, eu fui direto sentar no vaso sanitário. Não dava pra fazer porcaria de xuca nenhuma. Pra falar a verdade, quando tudo isso aconteceu, ninguém ainda havia me esclarecido o que a expressão significava. Sabia apenas que o bom seria fazer uma limpeza do reto antes da relação anal, mas também não dava pra fazer naquele momento. Que coisa, não? Era só ligar a gíria ao ato. Dar nome aos bois. Enfim. Estava eu tentando cagar em cinco minutos em uma casa estranha, onde o dono dela chegaria em breve e me enrabaria. Loucura! Óbvio que fiz força a toa. Não consegui nadinha. Lavei muito bem as mãos, me encarei no espelho e repeti três vezes em voz alta, "não vai doer, não vai doer, não vai doer. Nadinha." E lá estava eu sentadinho no sofá, como se nada tivesse acontecido quando chegaram, a pizza e ele, vinte minutos depois.
     Safado, veio até mim e disse que a pizza era sobremesa. Me agarrou com força e foi logo arrancando a roupa. Era tarde pra fugir. Quando seu pinto pulou pra fora já estava duro. Um pinto médio. No tamanho e na beleza. Quente e gostoso. Chupei. Procurei relaxar e não pensar em como estava ferrado para olhar meu amigo depois tendo trepado com o ex-marido dele. Quando comecei a me sentir a vontade, veio outro terremoto nas minhas emoções. Perguntou se eu era virgem. Balancei a cabeça que não e para tentar disfarçar disse que também não tinha tanta experiência. Será que eu estava chupando direito? Caprichei na mamada em seguida. Depois ele me chupou um pouco também e já pelados, deitamos no colchão que surgiu de trás do sofá. Sempre me beijando, deitou-se por cima e abriu minhas pernas. Pegou lubrificante e passou uma certa quantidade em mim. Pedi que passasse mais quando ele ia guardar. Já que ia  me comer, que não me fizesse sentir dor. Regular aquela porcaria de gel? Geladíssimo por sinal! Colocou a camisinha e ainda colocou um dedo dentro de mim antes de começar a penetrar. Que dor filha da puta! Achei que ia morrer! Enrijeci todos os músculos do corpo e bem devagar fui relaxando conforme me fazia carinho, beijava e penetrava mais. Logo entramos num frenesi muito bom e o entra e sai de pinto ficou alucinante! Sempre na mesma posição, gemi e dei com prazer na perda da minha virgindade! O que meu primeiro amor não quis fazer, o cara fez e muito bem! Quando gozou na minha barriga estava muito suado. Botei pra fora todo o esperma de uma vida inteira praticamente... Ficamos em silêncio uns dois minutos apenas e levantei apressado para tomar banho. Mesmo que quisesse entrar no chuveiro comigo, não permitiria. Sem maiores intimidades. Quando terminei, esperei ele tomar o dele e me despedi. Ele tentou me convencer a ficar mais um pouco para comer a pizza, mas pedi desculpas e recusei. Dei tchau e fui embora em seguida, já comido!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ele só queria me comer! ( Parte I )

     O outro gay no partido não militava no movimento estudantil, mas estava sempre comigo nas reuniões de organização da secretaria GLBTT. Muito focado nos objetivos em comum. Porém, fora de discussões sérias, seu assunto mais constante eram homens, pintos e sexo. Não de maneira vulgar, mas as vezes me irritava tantas insinuações. Tinha um companheiro ao qual morava junto há algum tempo, mas estava sempre reclamando de atitudes e pensamentos do cara. Quando não estavam brigados e separados. O que também era um pouco comum. Seu parceiro não era oficialmente do partido, embora, de vez em quando aparecesse por lá por algum motivo. Geralmente nas festinhas e confraternizações que organizávamos. 
     Devia ser meados de julho, quando prepararam uma festa para arrecadar a grana de uma viagem. Alguns se preparavam para irem a um fórum de discussão sobre a ALCA. Assunto super em alta nessa época. E ainda sem conhecer a maioria das pessoas fui à tal festa. O companheiro de secretaria estava em viagem para tratar de problemas pessoais familiares e não pôde comparecer. Seu atual ex-marido provavelmente aproveitou sua ausência para aparecer por lá e com toda certeza provocar ciúmes e comentários posteriormente. Só havia três pessoas assumidamente gays e dentre elas, eu. Como a outra era uma mulher, quem acabou sendo a vítima dele? Passei a ser observado o tempo todo da cabeça aos pés. Olhares de desejo e conquista. Conversei com uma garota e expliquei que estava me sentindo mal com o clima. Nem sabia o que os dois eram depois de tanto rolo naquele relacionamento confuso. E sem parecer surpresa, ela me disse para aproveitar o momento. Fiquei sem entender muito bem se quis dizer para eu apenas flertar e aproveitar o estar sendo desejado ou se era pra eu aproveitar e ficar com o cara. Coração acelerou e fiquei ainda mais sem graça. Me entregaram um bilhetinho pequeno e dobrado várias vezes. Nem precisei pensar muito para descobrir de quem era. "Você é uma delícia". Era o que estava escrito. Tinha cara de safado e não era de se jogar fora. Mas sair com ele poderia ser um belo de um problema no futuro. Sem falar na minha virgindade... Estava mais que claro que ele só queria me comer!
     Passei o máximo de tempo possível conversando com qualquer pessoa para me manter longe dele. Evitei seus olhares e me mantive em pânico, mas aparentemente tranquilo. Quando as pessoas começaram a ir embora, enquanto se despediam, o ex-marido do meu companheiro de partido se aproximou e puxou papo. Perguntou onde eu morava, idade e se morava com meus pais. Depois alguém que lhe daria carona o chamou e ele disse que eu também iria com eles. Tentei controlar meu desespero e disse que não precisava, mas ele me segurou pelo braço e quase me arrastou. "Vai de ônibus com uma carona aqui? Você mora perto e não custa nada." Não custava nada pra ele, mas quem estava dirigindo era outra pessoa. Para chegar na minha até passava pela casa dele, mas meu bairro era mais adiante. E desse jeito abrupto e sem tempo para recusa, fui praticamente sequestrado. Minha colega telefonou para saber onde eu estava e ainda muito sem graça, respondi que estava tudo bem e que ganhara carona. 
     O dono do carro nos deixou na esquina da casa dele e seguiu seu rumo. Agradeci e disse que iria até o ponto para pegar um outro ônibus até minha casa. Outra vez ele não deixou e me chamou para comer uma pizza na casa dele. Tentei argumentar que estava tarde apesar de ainda não passar das 20h. Ele então perguntou se eu estava com medo dele. Veio com um papo bem idiota de que não tem nada de mais comer pizza na casa de um amigo e não pega mal pra ninguém, afinal nós dois éramos solteiros...

sábado, 5 de maio de 2012

Estudar, trabalhar, militar

     Entrei numa onda completamente doida de estudar e militar no partido político. Minha vida acabou virando uma loucura com tantas reuniões e encontros para discussões e organização de atos e lutas. Fora a correria com a quantidade absurda de matéria que os professores davam em sala de aula. Alguns trabalhos valendo nota me fizeram perceber que meu desempenho estava caindo. Estava complicado acompanhar o ritmo. Livros da faculdade para ler, artigos e textos políticos, jornais, revistas... E ainda tinha meu estágio que mesmo sendo razoavelmente tranquilo, não me dava tempo para muita coisa durante o dia. Trabalhava também aos fins de semana as vezes e a primeira matéria a avisar que eu precisava focar nos estudos foi a maldita contabilidade. Como odiava aquilo! O professor não colaborava em nada e naquele segundo semestre percebi que talvez só um milagre me ajudasse. Nem ele parecia compreender os números. Nenhum balanço nos meus exercícios batia e eu tinha vontade de chorar em todas as aulas! 
     Surgiu a ideia e possibilidade dentro do partido de inaugurarmos a secretaria "GLBTT" na cidade. Com apoio da nacional, poderíamos criar um grupo e começar a militar mais ativamente. No início seria também uma possibilidade de abertura para a discussão sobre a homossexualidade. Tomando cuidado para não perder o foco com futilidades ou assuntos que não agregassem muito ao movimento em si. Tínhamos no partido dois gays e duas lésbicas assumidos e prontos para dar início à batalha. E confesso que estava muito motivado e feliz com a possibilidade de fazer parte de algo que fosse de fato relevante e tão necessário à sociedade. Lutar em nome de pessoas como eu. Enquanto permanecia sobrevivendo à minha rotina particular e com a criação da secretaria para me dedicar, o coração começou a sossegar. A fixação por meu primeiro amor começou a diminuir ou a me enganar. Talvez o encantamento pela política fosse tão grande que sequer sobrava tempo para lembrar ou sofrer por ele. Me contaram que entrou na academia. Arrumou tempo para malhar mesmo com o trabalho estafante. Enquanto esteve comigo sequer trabalhava e se dizia ocupado o tempo todo. Muita desculpinha cretina...

terça-feira, 1 de maio de 2012

O partido político

     Decidi fazer outra visita ao partido e me colocar a par de toda informação possível sobre idéias e visões políticas. Principalmente no que se refere ao movimento gay. E após a segunda, outras se sucederam. Passei a gostar de discussões e participar ativamente de movimento estudantil e todas as outras lutas em comum. Assim como os negros e as mulheres, os homossexuais têm que lutar, sem tréguas, para conquistar seu espaço. Para o partido, a luta contra a opressão homossexual é parte de um combate para construir um mundo onde os preconceitos e as discriminações sejam varridos da sociedade. Algumas considerações me tornaram militante:
     A luta pelo fim da discriminação e do preconceito aos homossexuais em todas as instâncias da vida social: locais de trabalho, estudo e moradia, instituições civis ou militares, sindicatos e organizações partidárias; o direito de organização e expressão dos homossexuais e combate à todo e qualquer ataque que seja feito pelo governo, seus órgãos de repressão e as instituições que lhe dão sustentação, como a Igreja e o Exército. E neste sentido a criação de fóruns municipais, estaduais e nacional de defesa dos direitos homossexuais, onde estes possam contar com o apoio jurídico e político que for necessário; denúncia quanto a difusão de estereótipos anti-homossexuais nos meios de comunicação; todos os direitos civis e trabalhistas; a discriminação aos portadores da Aids e a maneira como a doença é tratada; a inclusão da discussão da diversidade e orientação sexual na educação e o total repúdio a qualquer tipo de violência e repressão praticados contra homossexuais. 
     Me senti a vontade muito rapidamente para lutar por questões ligadas ao movimento gay, além de começar com uma certa especulação, discussão e manifestação na faculdade em nome do movimento estudantil ativo e militante. Pouco a pouco fui entendendo questões complexas sobre a atual situação do país e do mundo em todas esferas sociais, políticas e econômicas. Começava a achar que havia nascido para aquilo!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Te quero, mas como amigo!

     A chuva não demorou para cessar. Quando chegamos na esquina onde conversamos da outra vez, ainda pingava e resolvi acompanha-lo até sua casa para só então retornar à minha. Apesar de já estarmos bastante molhados, era possível ficar totalmente ensopado se qualquer um de nós fosse sem guarda-chuva. Andamos mais alguns metros e ele decidiu que já dava pra seguir sozinho. Fiquei analisando perplexo tudo que acontecera aquela noite e decidi não ir embora outra vez com dúvidas e sofrendo por causa dele. Perguntei a razão de ter me convidado para aquele programa no mínimo estranho na casa de alguém que sequer estava na cidade. Por quê? O que queria com tudo aquilo? Me machucar ainda mais? E antes de falar qualquer coisa, sorriu irônico. Aquilo me incomodou, me machucou. Meu primeiro amor disse então que talvez não tivesse sido uma boa ideia ter me chamado. Sua intenção era sim uma reaproximação. Queria ser meu amigo. Qualquer coisa que tivesse acontecido entre nós não aconteceria mais. Não teria continuidade por enquanto, porque ainda estava confuso. Os sentimentos dele ainda estavam bagunçados e não queria dar esperanças nem me fazer criar expectativas em relação a nós. Também não queria me ver sofrendo ou com raiva. Disse que eu era um cara bacana, e precisava da minha amizade. O que acontecera aquela noite fora um simples desencontro. Realmente quis me chamar para assistir o filme e não imaginava que nosso amigo não estivesse em casa. De qualquer forma, apesar do clima estranho entre nós, havia gostado. Era uma chance de podermos conversar, mesmo não tendo planejado nada daquilo que estávamos conversando.
     A verdade é que enquanto ele falava eu só conseguia tentar encontrar o erro em mim. Onde havia errado pra tê-lo perdido? Apesar de estar escancarado que a confusão e incerteza estava  só na cabeça dele. Fechei o guarda-chuva quando percebi que não chovia mais e me vi também um pouco trêmulo. Um nó na garganta. Vontade de beija-lo e dizer que precisava dele, mais que simplesmente o querer. Era a primeira vez que me apaixonava daquela maneira e queria poder ter a chance de viver aquilo mais intensamente. Não estava nem aí para qualquer outra pessoa que talvez estivesse no coração dele. Eu merecia uma chance. Segurei qualquer lágrima que teimasse em cair e me declarei. Outra vez. Falei tudo que estava sentindo por ele. Todo o amor que ainda me consumia e maltratava. Quase infartei quando ele passou na minha cara que nós mal havíamos terminado e eu já estava beijando o mundo na Parada Gay. Entendi tudo quando ouvi essa frase. Não havia beijado o mundo na Parada! E mesmo que tivesse beijado "o mundo", quem tomou os chifres fui eu. Quem fora enganado? Então quer dizer que além de chorar e sofrer, deveria também ficar me humilhando pra ele? Quem sumira, eu? Tentando sair de mocinho e me jogar o papel de vilão? Respirei fundo e segurei a vontade de começar uma discussão para tentar me defender. Não estava em condições emocionais para formular qualquer desculpa ou justificativa. Certeza da minha inocência e ingenuidade eu tinha de sobra! Mostrei o guarda-chuva e perguntei se queria levar ou preferia que ficasse comigo. Ele percebeu meu incômodo e disse que devolveria no dia seguinte. 
"- Eu gosto de você cara! - Disse eu finalmente. - Mesmo com todos os meus e os seus erros. Gosto de você, mas gostar sozinho não é legal!"
"- Gosto de você também! Mas nesse momento de confusão, prefiro tentar entender meus sentimentos sozinho. E quero você como meu amigo." 
     A amizade deve ser guardada no lado esquerdo do peito. Zelada e protegida como à um diamante. Ela é mais valiosa que qualquer sentimento existente. Só tome cuidado pra não colocá-la próxima demais do amor. Você vai se foder no final! Vão querer sua amizade e seu amor que se dane!
     O pior foi ter ouvido ele comparando nossa possível e desejada amizade com a das personagens no filme. Uma amizade que incluía também nosso amigo ausente. As três se conheceram, se uniram e criaram um laço muito forte e carinhoso. Quase vomitei nessa hora e me perguntei se ainda olharia na minha cara se o mandasse à merda...


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Déjà Vu

     Esperei pouco tempo até meu primeiro amor aparecer. Estava tão lindo, tão perfumado... Gritei tchau à minha mãe e fui com ele. No caminho poucas palavras. Esperava que me dissesse algo, enquanto ele talvez esperasse algo que nem mesmo sabia o que era. Falamos sobre nossos empregos e minha faculdade entre os intervalos longos e incômodos de silêncio até chegarmos na casa do nosso amigo gay. Foi ele que bateu palmas enquanto ia abrindo o portão e entrando. Lá de dentro veio a voz da mãe do amigo dizendo para entrarmos. Envergonhados, seguimos para dentro. Ela nos olhou assustada e disse que o filho não estava. Havia viajado a trabalho, mas era pra ficarmos a vontade. Disse que faria um cafezinho pra gente e foi pra cozinha. Juro que fiquei sem chão. Muito sem graça. Não estava entendendo mais nada. Como ele me ligava do nada para uma visita à alguém que sequer estava em casa? O que ele queria com aquilo tudo? Sabia perfeitamente que eu estava sofrendo sem ele e de repente isso... Era confuso demais. A situação e ele.
     Tomei bem lentamente duas xícaras de café enquanto assistíamos outra vez o filme que vimos logo que nos conhecemos. Foi como um déjà vu. Nós dois sozinhos na sala, deitados no chão, a televisão ligada e meus pensamentos bem longe. Não sabia o que fazer ou o que falar, mas dessa vez eu sabia que o melhor a se fazer era ficar quieto. Ele que tentasse algo, se quisesse. E pelo andar das coisas acho que não queria nada. Deu risadas quase o tempo todo. Parecia até já ter decorado várias falas e algumas cenas completas enquanto eu mal conseguia prestar atenção ou lembrar o nome do filme. Não me disse o real motivo pra ter me chamado e sequer se aproximou de mim. Como esperar algo daquele ser tão cheio de dúvidas e neuras? E pensar que havia faltado na aula para estar ali. E ainda pegaria uma tremenda chuva na hora de ir embora. O céu despencou do nada e como desgraça pouca é bobagem, o filme acabou bem nessa hora. Apressados, fomos até o quarto da mãe do nosso amigo e avisamos que estávamos indo embora. Ela pediu para esperar por causa da chuva, mas meu primeiro amor insistiu em ir. Muito prestativa ela ainda nos emprestou o único guarda-chuva que havia na casa. Fomos nos apertando e tentando escapar da água depois de sermos convidados a voltar para visitá-la sempre que quiséssemos. E a cena de ambos se protegendo tão próximos um do outro parecia tão romântica... 

terça-feira, 17 de abril de 2012

Bullying no concurso público ( Final )

     Não errei a direção da sala na segunda vez. Faltavam quinze minutos para o início da outra parte da prova e ao entrar, percebi que a mesma estava bem vazia. A fashionista não apareceu. O marrento também não deu as caras. Todos os japoneses retornaram e para minha alegria o gostosão também já estava. Duas fileiras ao lado. Braços fortes, peitoral bem definido, bunda deliciosa e que pernas eram aquelas? O cara era um Deus! Estava de bermuda e mostrava parte das coxas lindas... Tão lindas que a cara de louco dele pouco importava! Devia estar babando, tentando enxergar o volume entre suas pernas. Uma vontade desesperadora de ir até ele, arrancar sua bermuda, ficar de joelho e me acabar no sexo oral! Cheguei até a ficar levemente excitado só de olhar o cara. Aquilo era um abuso! Como conseguiria me concentrar nas questões com aquele gato logo ali? O que eu sofria ali também era bullying! Tinha que ser tão gostoso?
     Quando autorizados a começar a prova, percebi que minhas chances reais de obter uma boa classificação entre as 3500 inscritas eram maiores, uma vez que quase metade das pessoas desistiram. As questões da parte da tarde também estavam muito difíceis. Me arrependi profundamente de tão ter estudado nada e ainda cheguei a conclusão que salário alto em cargos públicos é sinal de depressão e crise existencial naquele momento. Me senti muito mal. Um verdadeiro escroto, verme! Minha vontade era entregar aquela merda em branco e sair correndo. Ainda tava passando vontade com o bonitão ali... Quase dei um grito, mas me controlei, imaginando o bullying que receberia logo em seguida. E se me convidassem pra sair da sala? Pode gritar em concurso público? No meio da prova? Enfim, fiquei quietinho rachando a mente para tentar acabar logo o sofrimento. Outra vez fui um dos últimos a terminar. A redação foi a pior parte. Foi horrível! Fui horrível também. Tenho certeza que se chegar a ser corrigida vai zerar. Devo ter passado longe do tema, acho até que nem falei coisa com coisa... Mas naquele momento eu queria mesmo era ir logo embora pra minha casa. E não é que o tesão terminou a dele no mesmo instante que eu? Que fofo! Entregou o gabarito, pegou as canetas e saiu, logo na minha frente. Vontade de meter a mão na bunda, apertar! Ai, ai... Logo à frente encontrou uma amiga e saíram comentando as questões. Enquanto eu caminhei devagar com dor de cabeça, fome e me sentindo destruído. Me sentindo estuprado...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Bullying no concurso público ( Parte I )


     Resolvi pular alguns anos no tempo aqui no blog para falar sobre um assunto que me causa um misto de revolta, compaixão e estresse. Dois na verdade, o bullying e o concurso público. Foi em conversa com um amigo em uma rede social esses dias que me lembrei desse episódio e resolvi contar o que penso sobre isso. Ele acabou de prestar um concurso na cidade dele, cujo nome não me lembro agora, mas também não vem ao caso. Estávamos trocando algumas experiências. Pois é, há um tempo eu também fui tentar a sorte na vida de concurseiro. Espalhei pra todo mundo que iria fazer a prova e já me sentia um funcionário público. Como se já tivesse passado na prova. Não me preocupei em estudar nada nos quase dois meses que tive para me preparar desde a inscrição e quando chegou a véspera bateu uma dorzinha de barriga um pouco incômoda. A ansiedade não me deixou dormir direito e tive que acordar muito cedo pra ir até a escola onde aplicariam a prova. Um zumbi que mal conseguia pensar em outra coisa que não fosse a própria cama. A rua estava cheia de gente se movimentando ansiosos de um lado para outro. No muro, do lado de fora havia uma lista gigantesca com nomes e número das respectivas salas que os candidatos deveriam procurar. Eu já sabia onde deveria ir, então fiz cara de poucos amigos para quem parecia perdido em meio a tantos nomes e números de inscrição. Alguém esticou um panfleto na porta e eu recusei. Olhei rapidamente um cartaz que informava pra que lado deveria seguir para achar a sala 001 e fui para a esquerda. Uma moça muito simpática e de sorriso largo, apesar da hora, perguntou se podia me ajudar e irritado com seu bom humor novamente recusei ajuda dizendo que estava indo para a sala um. Foi nesse momento que comecei a perceber que o bullying, essa palavra relativamente nova pra mim, está presente e dominante em quase todas as pessoas envolvidas em um concurso público. A moça de sorriso largo me encarou com desdém e disse que eu estava do lado errado. Me devolvendo a pouca cordialidade de antes. Agradeci e me virei para o lado correto. Algumas pessoas paradas ali perto me olharam com ares de gozação e ainda ouvi a mulherzinha comentar com alguém que havia uma seta enorme no cartaz indicando o lado direito. Ok. Fui desagradável e ela apenas me devolveu uma pitadinha de mau-humor.
     Fui o segundo a entrar na sala e quando percebi que poderia ter dormido meia hora a mais fiquei mais irritado ainda. No edital estava escrito que era obrigatório chegar com uma hora de antecedência. E lá estava eu, uma hora plantado, esperando o restante das pessoas chegarem. Cada um que entrava já escancarava sua personalidade. Só no jeito de andar até suas carteiras e lógico, pela aparência. Percebi que a garota que já estava na sala era obviamente uma nerd extremamente pontual. Óculos, cara de quem sofreu muita gozação na época do ensino médio e uma forte concorrente a uma das vagas a qual eu pleiteava. O terceiro a entrar foi um senhor com seus sessenta anos, aproximadamente. Já tinha cara de funcionário público e era outro forte candidato. Aí foi a vez de entrar o primeiro japonês. Não havia pensado na possibilidade de ter muitos japoneses tentando também. Geralmente são inteligentes. Sofrem muito bullying no ensino fundamental e principalmente no médio, quando não beijam ninguém e sempre são vistos na biblioteca. Eu mesmo já chamei tanto eles de “Shing Ling”! Entrou a negra típica com cara de quem já enfrentou muito racismo, o gay afeminado com sobrancelhas finíssimas e andar de quem está na passarela, outro japonês, a senhora com cara de dona de casa, a fashionista que também parecia ter vindo direto da São Paulo Fashion Week, a gordinha de óculos, uma japonesa, outro senhor de idade, um rapaz irritantemente gostoso, mas com cara de louco e de repente a sala estava quase completa. Três pessoas certamente esqueceram ou dormiram demais ou ganharam na mega sena e desistiram da prova. A fiscal explicou os procedimentos e na hora do boa prova à todos, entra um atrasadinho. Cara de playboy, topete perfeito e cara de marrento. “Carioca”, eu deduzi. A mulher deu um rápido sermão e disse que só permitiria que ele fizesse por que ainda não tínhamos autorização para abrir os cadernos de questões. O rapaz sofreu bullying da velha e da fashionista que não disfarçou o riso. Prova difícil. Clima tenso.
“Com base nos dados seguintes: 1+2x+3y, responda: Para quê serve e qual a diferença entre a Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal?”
     Alguém abriu um pacote de salgadinho e começou a fazer barulho com a embalagem. Jurava que era proibido comer durante a prova, mas, a dona de casa não foi advertida. Devo ter sido o único também a não ir ao banheiro. Povo estava com problemas urinários, só pode! Um dos japoneses chegou a ir três vezes! Mais uma ida e eu pediria para que deixassem ele levar a prova pro banheiro. Após o fim do período mínimo de permanência na sala, a metade vazou. Eu ainda sofrendo com aquilo e as pessoas já terminando? A fashionista foi a primeira a entregar. “Inteligente”, pensei comigo outra vez. “Desgraçada”, conclui. E voltei às perguntas de economia e auditoria. A hora foi passando, as carteiras ficando vazias ao meu redor e quando dei uns dez chutes no que eu não fazia mesmo ideia das respostas, resolvi entregar e sumir dali. Deixei apenas quatro pessoas ainda se matando e fui procurar algo para comer e diminuir um pouco minha revolta por causa da fome. Eu tinha duas horas de intervalo. Exatamente duas horas antes de ter que voltar para a sala e começar a segunda parte. Isso mesmo, ainda havia uma segunda parte. Mais 25 questões e uma redação pra fazer.

sábado, 14 de abril de 2012

Eu já estava superando...

Quando você começa a superar um fora. Quando já não pensa naquela pessoa o dia todo. Quando parece que tudo vai andar e está conseguindo superar, algo acontece, olha que legal! Um belo dia seu telefone toca e para sua surpresa e de mais ninguém, quem é? Sim, ele mesmo. Muito estranho. Quase não acreditei quando vi o número do telefone da casa do meu primeiro amor no visor. O que ele queria? Pra que me ligar? Enquanto tentava imaginar a razão da ligação o telefone gritava. Uma mulher me olhou como se exigisse que eu atendesse logo. Me senti pressionado por ela e apertei a tecla que talvez me fizesse afundar outra vez. Uma tecla e eu voltava a só pensar nele todo o tempo. Sofrer. Poderia dizer "eu amo você e quero tentar de novo". Poderia dizer também que me escolhera. Poderia dizer tanta coisa que me deixaria feliz, mas eu tinha medo mesmo de ouvir um "me esquece". Qual a razão de me ligar quando eu acreditava estar pensando nele só durante 70% do meu dia, fazer isso aumentar para 97% e dizer apenas "me esquece"? Isso aí já seria mau caratismo! Pura maldade.
Quando atendi o telefone a voz quase não saiu. Trêmula. As palavras se atropelaram. Mas no final da história, ou da ligação, o que ele pediu foi simples. Primeiro perguntou se eu estaria livre aquela noite. Respondi que sim, mesmo tendo aula de contabilidade. Depois me chamou para passar na casa do meu amigo gay logo mais. Concordei na hora e antes de desligar confirmei o horário que ele poderia passar na minha casa. Demorei um certo tempo para voltar ao normal e sair do estado de choque. O próximo passo era pensar rápido em dar à minha mãe uma desculpa para não ter ido à faculdade. Odiava quando ela começava sermão. Quando saí do estágio, voei pra casa e tão logo saia do banho para me arrumar, outro banho de perfume e já esperava ansioso por ele. Liguei para o motorista da van que eu fretava para ir à faculdade e avisei que iria faltar. Ele insistiu e buzinou na porta da minha casa no horário. Fiz sinal que não ia mesmo e ele seguiu seu rumo. Minha mãe acreditou quando disse que não haveria aula apenas para minha turma. De verdade, se meu primeiro amor não aparecesse eu ficaria muito frustrado.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ainda existia amor em mim

Apesar de ser tudo recente e novo e de ter ficado com outras pessoas, ainda amava meu primeiro amor. Intensamente. Era com ele que queria ficar, estar junto. Passar mais tempo aprendendo e vivendo a vida. Desabafei para algumas pessoas no estágio e ouvi criticas. Contei o que estava sentindo e tudo que acontecera. Me disseram para parar de besteira e seguir em frente. Chorei. Não só por não estar com ele, mas por perceber que me apaixonara demais e ainda gostava dele. Ainda precisava dele. Sim, eu estava novo. Havia muito para viver e aprender. Mas a ansiedade e desespero não me deixavam viver um dia de cada vez, ocupar a cabeça com outras coisas, ao contrário. Largava tudo para pensar nele. Sofrer por ele.
E como lidar com a rejeição? Como agir nessa situação em que se descobre gay, se apaixona loucamente e o cara mesmo mais experiente parece mais confuso que você? Talvez essa minha descoberta e aceitação da sexualidade tenha sido rápida demais, o que não é de forma alguma ruim, mas e para pessoas complicadas e neuróticas como meu primeiro amor? Nunca daria para entender como ele pensava, do que tinha medo. Lembrar dele me trazia um leve pesar no peito. Doía imaginar o fim ou perceber o quão tolo eu fora em diversas situações. Poderia ter sido mais firme, mais direto, mais amoroso, menos frio e menos medroso. Como me fazia mal ama-lo daquela forma... Ainda gostar tanto de alguém que eu sequer sabia o que pensava. Se gostava ou ainda queria me amar. Afinal, de minha parte sim, ainda existia muito amor!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A descoberta da sigla

Eu não sou uma pessoa alienada, desinformada ou que se lixa para a situação política do país e da sociedade. Eu "era" assim. Não queria saber de nada. O Brasil que se danasse! Quando me chamaram para conhecer um partido político eu simplesmente dei risada. Aquilo era ridículo e não me via de jeito nenhum em meio a tanta besteira, mentiras e roubalheira. Mas aí me explicaram que o início era simplesmente conhecer como funciona e o que pensa o partido. Quais princípios e propósitos. Vale ressaltar que a intenção desse post não é tentar captar militantes. Eu mesmo como já disse, achei a ideia idiota demais no início. Só que fui vencido pela insistência e acabei indo à uma reunião para que me apresentassem logo aquela porcaria e pudesse ficar livre de tanta encheção. Durante a falação eu tentei me concentrar e acho que estive com cara de paisagem durante todo o tempo, mas consegui disfarçar a falta de interesse. Saí de lá indiferente. A única coisa que me pareceu interessante foi a tal secretaria GLBTTs, citada várias vezes. Não fiz perguntas sobre, mas achei a posição de apoio à causa muito legal. Não sabia se voltaria mais vezes e se isso acontecesse seria por causa da luta contra a opressão à gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros. O resto? Bom, pra quem não queria saber de porra nenhuma, gostar e estar por dentro desse assunto já estaria me levando pra dentro da discussão política. Que mais eles queriam? Ao menos descobri o que significava a sigla e o que eram aquele monte de tês. Claro que posteriormente o google me esclareceu tudo.

Inicialmente, o termo mais comum era GLS, sendo a representação para: gays, lésbicas e simpatizantes. Com o crescimento do movimento contra a homofobia e da livre expressão sexual, a sigla GLS foi alterada para GLBS, ou seja Gays, Lésbicas, Bissexuais e Simpatizantes que logo foi mudado para GLBT e GLBTS com a inclusão da categoria dos transgêneros (travestis, transexuais,  transformistas, crossdressers, bonecas e drag queens, dentre outros). A sigla GLBT ou GLBTS perdurou por pouco tempo pois o movimento lésbico ganhou mais sensibilidade dentro do movimento homossexual e a sigla foi alterada para LGBTS. Atualmente a sigla mais completa em uso pelos movimentos homossexuais é LGBTTIS, que significa: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros, Transexuais, Intersexuais e Simpatizantes, sendo que o “S” de simpatizantes pode ser substituído pela letra “A” de Aliados ou ainda acrescido a Letra “Q” de Queer que não é muito comum, porém é utilizada em alguns países e por alguns grupos do movimento gay.
A inclusão do “L” na frente da sigla do movimento gay deu-se pelo grande crescimento do movimento lésbico e pelo apoio da comunidade gay às mulheres homossexuais.

Fonte da explicação da sigla: Wikipédia, http://pt.wikipedia.org/wiki/LGBT

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Gracinha de vizinha!

De repente passei a odiar a Carol Castro. Sim, a Carol Castro. Aquela atrizinha até talentosinha da globo. Que  fazia papel da Gracinha em Mulheres Apaixonadas. Talentosinha hoje, por que na época da novela a interpretação era meia boca! Bem meia boca! Quer saber a razão de tanto ódio? Meu amigo gay disse que a garota que havia ficado com meu primeiro amor era a própria vizinha. Uma gordinha metida a simpática, insuportável! Ao mesmo tempo em que queria saber quem era a vaca que o disputara comigo e provavelmente ganhara, queria que ela simplesmente morresse e eu sequer imaginasse quem era. Mas meu amigo estragou tudo. A condenou a ser alvo de meus pensamentos homicidas por muito tempo. E ainda soube mais, parece que ela já havia chutado ele pra escanteio. Parece que a fila andou rápido pra ela. O que era muito bom e ainda assim não a livrava das minhas macumbas e pragas eternas. Se fosse verdade era algo muito bem feito pra ele e pra mim! O que a biscate tem a ver com a Carol Castro? Não, eu não esqueci disso. O simples fato de que são bem parecidas. Muito parecidas. Não estou dizendo que ela lembra a atriz. Ela é a cara da Carol Castro! Cuspida, escarrada e golfada! E meu amigo gay ainda ousou me dizer que ela também era uma "gracinha" e não tinha culpa de nada na história. Assim como eu, fora enganada. Antes de cortar relações com ele por causa do comentário, fiz cara de pouco caso e mudei de assunto para evitar discussão. Ele defendia demais o amigo, agora ia defender a garota também? Se a visse na minha frente àquela época eu dava uma voadora antes dela pensar em piscar. Quebrava a cara daquela vadia sem dó! E não estou falando da atriz. Aquela lá sim, ainda deu uma sorte lascada de dar uns pegas no delicinha do Erik Marmo.
Pois é, não tive paciência de procurar um vídeo sem dublagem. Mas foi até melhor assim. A voz dela me irrita um pouco. E não estou falando da menina que ficou com meu primeiro amor.

domingo, 1 de abril de 2012

Beijando um passivo

Fui até a casa do meu amigo um certo dia fazer uma visita. Aquele que foi ridiculamente humilhado na volta da Parada Gay. O ex ficante do motorista. Gostava de conversar com ele, apesar de quase todos o acharem idiota e caipira. Não há como negar que havia sim um pouco de compaixão na minha amizade. O lance é que papo vai, papo vem, rolou algo estranho. Não diria química por que no nosso caso essa matéria nem existia. Sei lá, foi meio que curiosidade mesmo. Ficamos. Demos uns beijinhos meia boca e só. Nunca contei pra ninguém, mas o cara beijava muito mal. Quase me engoliu e sua boca me degustava nos mesmos movimentos sincronizados. Foi chato. Mega chato. Ele era declaradamente passivo e eu outra vez não fiquei excitado. Será que isso me fazia falhar como ativo? Seria eu um passivo também? Ao contrário do que acontecera no post anterior, dessa vez só rolaria uns beijos mesmo. E depois de tudo, na hora de ir embora, pensei que talvez aquele tivesse sido o fim de nossa amizade. Nossa breve amizade. Geralmente depois de uma experiência mal sucedida como aquela, acontecia um distanciamento silencioso e temeroso. Quem é que gosta de saber que tem fofoca rolando a seu respeito? Que você beija mal ou sequer ficou de pau duro enquanto beijava? Enfim, permaneceríamos com nossos segredos, chantageados pelo silêncio do outro. Nossas verdades, nossas armas...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Sim, eu brochei.

O Gatchinho me convidou pra ir na casa dele ver um filme. Estaríamos sozinhos aquele dia e mesmo com muita vontade de recusar acabei concordando. Eu não estava a fim dele. Não queria nada. Estava apaixonado pelo meu primeiro amor. Ainda. A verdade é que olhar pra cara dele fazia me arrepender profundamente por te-lo beijado a primeira vez. Ouvir sua voz feia e escandalosamente insuportável me irritava. E de verdade, o beijo dele começava a me dar nojo.
Para dar um toque de fracasso maior à noite, chegando na casa que na verdade era da irmã dele, me deparei com dois dvds. Títulos: Harry Potter e alguma coisa, Harry Potter e o prisioneiro de algum lugar. Tentei argumentar que não havia lido ou assistido qualquer um da série, mas nem me deu bola. Parecia tão empolgado com tudo. Enquanto eu só queria ir pra casa.
Antes do filme, fizemos um lanchinho para aliviar a fome. A minha era gigante por sinal. E na hora do filme uma pipoca para criar um falso clima de cinema e romance. Meia hora foi suficiente para eu não conseguir me segurar e fazer o primeiro muxoxo de reprovação. Tédio absurdo. Ele percebeu e passou a agir de maneira a transformar o "cinema" em "motel". Começou me beijando, me abraçando, me apalpando e nenhum sinal de ereção. Me lambia, chupava e nada do meu pinto subir.
Talvez até estivesse se achando sexy quando começou a tirar a própria roupa. Logo em seguida arrancou a minha. Achei que fosse rasgar de tanta pressa. E meu pinto não subia. Fiquei sentado no sofá me sentindo pressionado por meu cérebro a iniciar um crescimento peniano urgente! Mas parecia inútil. Quando ele ajoelhou-se no chão e ficou "cara a cara" com o adormecido eu me senti humilhado. Delicadamente ele começou a me chupar. Ao menos isso ele fazia bem. Lentamente comecei a ficar excitado, mas ainda não o suficiente para um penetração. E quase desesperado por ver tudo ir por água abaixo, ele fez a besteira de perguntar se eu queria que me comesse. Com essas palavras. Exatamente com essas palavras. Me comer! Só não dei na cara dele por que o boquete estava melhorando a situação lá embaixo. Sorri impaciente e fiz que não com a cabeça de cima. Em seguida, puxei sua boca até a cabeça de baixo.
O gatchinho tentou. Esperançoso. Fez tudo que podia. Ficou com cãibras e dores no maxilar. Do sexo oral nós não podíamos reclamar. Foi gostoso. Pena que só de imaginar penetrando outro buraco eu brochava. E brochei. Não rolou mais nada aquela noite. Nadinha. Nem o filme terminamos de ver. No final das contas eu parei com a neura de que havia deixado a desejar. Não falhei por que quis. Falhei por que ele não me fez sentir tesão suficiente. Ele não me excitava. Pronto. Uma coisa me deixou feliz naquela noite brochante. O pinto do gatchinho. Sim, fiquei feliz em perceber que o dele mesmo ereto o tempo todo era menor que o meu.

terça-feira, 6 de março de 2012

O encontro da internet

Quem diz nunca ter conhecido alguém através da internet é um mentiroso ou excluído da era digital. Principalmente se for gay. É mais provável que esteja mentindo. É extremamente fácil achar sexo nos sites de bate papo. Aliás, só tem isso na grande maioria deles. Fica cansativo arriscar uma conversa com qualquer pessoa que não tenha essa intenção.
No meu primeiro encontro marcado com alguém do chat eu esperava ilusoriamente encontrar um príncipe encantado. O papo era inacreditavelmente interessante e maduro. Não demorou para nos adicionarmos no msn e prolongar os assuntos por mais de três horas. O cara era fantástico! Cinco anos mais velho, trabalhava, estudava, tinha carro, era simpático e também queria me conhecer. Não parecia um assassino que me enganara todo o tempo, me espancaria e queimaria meu corpo em seguida. Mesmo eu ainda sendo menor de idade, ele topou me encontrar no dia seguinte. Eu não teria aula por algum motivo e depois do serviço o encontrei para irmos comer algo em algum lugar. Eu tinha em mente que iria apenas conhecê-lo e comeríamos algo. De forma alguma um ao outro. Precisava manter minha virgindade intacta, ainda.
O nome dele era igual ao de um cantor sertanejo de uma dupla que fazia bastante sucesso na época. E quando nos encontramos não consegui olha-lo sem lembrar da dupla. Tinha que ser logo de uma dupla sertaneja? Nossa trilha sonora estaria condenada. Tragédia. Podia se chamar Rick Martin, sei lá... Até Daniel seria melhorzinho. Mesmo me lembrando João Paulo e Daniel. O negócio é que o nome dele realmente me incomodava. Fomos em uma pizzaria e quase não paramos de falar durante toda a noite. Havia um certo fascínio em mim enquanto o fitava e ouvia algumas histórias de vida. Se eram verdadeiras já não sei, mas que ele parecia muito inteligente, romântico e sensível isso parecia. Talvez fosse um grande ator. Estava mesmo me empolgando com ele. Fisicamente não mostrava muitos atrativos, mas também não era de se jogar fora. O problema estava no nome dele.
" - Você gosta de Chitãozinho e Xororó?"- Perguntei sem perceber que aquilo poderia soar como uma ofensa.
E ele pareceu mesmo ofendido. Ainda me respondeu com outra pergunta:
" - Está perguntando isso por causa do meu nome?"
Fiquei sem graça e mudei de assunto. Ele insistiu em dizer que muita gente perguntava se o nome dele tinha mesmo algo a ver com o cantor. Nessa hora eu provavelmente estava muito ruborizado.
Terminamos de comer e quando estávamos no carro, ainda saindo do estacionamento ele me perguntou sem rodeios se eu não lhe daria sequer um beijo. Claro que eu tinha planos de beijá-lo. Vários beijos. Só tinha em mente que se surgisse a possibilidade de acontecer algo mais eu cairia fora. Pretendia beijá-lo sim, mas fiquei tão travado com a pergunta direta dele que respondi apenas "talvez". Percebi pela cara que fez que não gostou de ouvir aquilo. Seguimos conversando no carro até chegarmos perto da minha casa, do outro lado da cidade. Achei que seria mesmo muito desagradável da minha parte agradecer simplesmente e descer do carro. Então, nos atracamos desesperadamente durante uns dez minutos. Até ele pegar minha mão e a levar junto ao seu pênis. Percebi que seu membro era grande e parecia bem excitado. Puxei minha mão rapidamente e encerrei os beijos em seguida. Enquanto eu me despedia, fui abrindo a porta e saindo do carro. Ele estava nitidamente incrédulo e sem entender o porquê daquilo. Me senti ridiculamente puritano, mas tinha decidido não deixar nada acontecer. Ele tinha o número do meu celular e o meu e-mail do messenger, mas nunca mais o vi. Só ouvi seu nome quando a dupla aparecia em algum programa na  televisão.
Vídeo de uma dupla sertaneja que fazia muito sucesso na época.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Lucky Blue

Fechei minhas portas e janelas para não deixá-la ir.

Para não deixá-la me abandonar aqui na depressão. 
E ainda assim ela se foi. 
Não voltou mais... 
Voou e nem percebi quando ou por quê! 
Minha sorte não voltou com "meu primeiro amor". 
Tampouco trouxe "um novo amor"...






Filme muito sensível. E lindo!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Meu momento Shun-Li

        Sim, eu agi feito uma criança que briga na escola e só não cai na porrada de verdade por que a professora entra na frente e ameaça chamar os pais. A diferença é que não estava mais no primário. E nunca fui tão valentão assim. Na verdade era mais provável que saísse correndo, gritando por socorro e chorando com medo de levar uma surra. No primário. Naquele momento eu talvez diria que o motivo era fútil demais sequer para discutir. Mas o cara me irritou demais! Claro que também não virei a Shun-Li e saí dando voadora, apesar de sentir muita vontade. O lance começou por que no dia da bendita apresentação, o grupo inteiro estava super estressado e nervoso, mas todos preparados. E o "idiota da faculdade" resolveu esquecer o disquete com todo o conteúdo. Bom, em primeiro lugar, cada integrante havia estudado o tema e principalmente sua parte na apresentação, mas nem todos estavam com a parte digitalizada. Coube a ele juntar tudo e até se prontificou a fazer isso, no início. Segundo, apesar de não me achar tão antigo, nem que o disquete seja algo de décadas atrás, sim, nós usávamos disquete na época. E já que falo de tempo, o cara tinha o dobro da minha idade, casado e dois filhos pequenos. Só pra constar.
        Decidimos então tentar apresentar sem mostrar nenhum slide. Ficaríamos com notas baixas e a sala inteira iria dormir com tanta falação à frente. Mas o meu "colega" resolveu correr até o laboratório de informática, telefonar pra a esposa e pedir que ela enviasse o trabalho por e-mail, para em seguida, salvar em outro disquete e se salvar da nossa fúria. Ele só esqueceu que o nosso grupo já seria o próximo a apresentar e mesmo que a esposa fosse uma hacker, o que também era bem pouco provável, não daria tempo.

        Alguém estava irritando o grupo anterior com tantas perguntas sobre o assunto enquanto o nosso esperava a professora fazer suas considerações, encerrar e pedir para começarmos. Ele então, retornou do laboratório, sentou-se na carteira ao meu lado e começou a cochichar que não tinha conseguido. Mas nós não deveríamos nos preocupar por que ele explicaria o acontecido e não perderíamos pontos na nota. Apresentaríamos normalmente e tudo daria certo. E enquanto ele foi falando, fui me irritando. Pedi pra ele ficar quieto e respeitar as pessoas à frente. Depois a gente resolvia, a merda já estava feita! Aí foi a vez dele se irritar e interrompeu o próprio blá blá blá para me chamar de chorão e chato. Só devolvi os insultos. Os mesmos insultos. Nosso tom de voz foi se elevando na discussão e ele então simplesmente me mandou tomar no cu! Aí a coisa esquentou. Explodi de uma maneira que não era normal pra mim. Comecei o bate boca de verdade mandando ele ir tomar no cu também! E que tomasse gostoso! Mandei ir se foder e crescer! Refletir sobre a própria infantilidade e ver que talvez os filhos que o imbecil tinha que sustentar eram mais maduros que ele! Um "chucro", ignorante, mal educado e burro! A sala toda permaneceu em choque enquanto me observava pegar material e sair da sala. Não quis nem saber. E o tonto ficou lá, gritando que ia me bater. Me mandando pro inferno e ameaçando me pegar na saída! 
        No final da história, ninguém mais apresentou trabalho nenhum aquele dia. Nosso grupo apresentou na aula seguinte e a professora deu mais um prazo pra ele preparar a apresentação individual. A nossa nota acabou sendo 10 e a dele 7. O "idiota da faculdade" não olhou mais na minha cara e até trocou de carteira nos dias seguintes. No semestre seguinte ele não estava mais matriculado e segundo os boatos que rolaram, havia perdido o emprego depois ter ter sido pego roubando. Se é mentira não sei, mas adorei e prefiro pensar que é verdade.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Alguns números

Naquela semana:


Número de provas na faculdade para fazer: 04
Número de trabalhos em grupo para apresentar: 01
Número de namorados fixos: 0
Número de pessoas apaixonadas por mim: 0
Percentual aproximado de saudade do meu primeiro amor: 80%
Número de pessoas que eu estava beijando: 01 (O gatchinho)
Número de bolos que levei de pessoas que eu estava beijando: 01
Percentual aproximado do ódio que senti: 90%
Número de discussões por motivos banais na faculdade: 01
Número de ameaças que recebi: 02
Número de posts explicando como foi a discussão e as ameaças: 01 (O próximo)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Conversando com os amigos

        Nos dias que se seguiram acabei ficando mais próximo do "ex ficante do motorista". No início foi por solidariedade pelo fato ocorrido na viagem de volta aquele dia. Descobri um cara simples, sincero e muito humilde! Nos tornamos amigos e descobri que ele já havia desencanado de tudo que acontecera. Mas sei que mesmo que isso seja verdade, lá no fundo ficou uma mágoa. Pode até ser pequena, mas existe e vai permanecer ali por algum tempo. Percebi isso nas conversas divertidas que tivemos. Esse meu novo amigo morava no mesmo bairro que eu e após uma visita à sua casa em um dia da semana que não me lembro exatamente qual, provavelmente um sábado ou domingo, encontrei uma amiga dos tempos de escola, a qual não via há muito tempo. Super por acaso. Ficamos então, conversando e rindo das palhaçadas daquele tempo bom que não volta mais. Das conversas, das brigas, das colas nas provas, dos trabalhos em grupo e de toda a rotina estudantil. Relembramos pessoas que não víamos há bastante tempo e também deixou saudade. Os amores, as desilusões, os professores...
        Anoiteceu muito rápido aquele dia e acho que depois de umas duas horas, encerramos o papo e prometemos nos encontrar mais vezes pra matar a saudade. Um pouco mais da saudade. fui embora e ainda pelo caminho acabei parando outra vez para conversar. Dessa vez com meu "amigo gay" que seguia até a casa de alguém para fazer cabelo e maquiagem de mais dois alguém. Essa parada foi rápida e eu praticamente só ouvi ele dizer que estava apaixonado pelo garoto de São Paulo. 
        "- Nossa, mas já?!" - Perguntei surpreso e sem reparar na gafe que cometia, ainda insisti:  "- O que você beijou na Parada por último?"
        Ele me fuzilou com o olhar e confirmou com a cabeça afirmativamente. Em seus pensamentos com certeza se perguntava que moral eu tinha pra falar sobre se apaixonar rápido demais ou insinuar qualquer coisa sobre beijar várias pessoas, afinal eu me dizia apaixonado até praticamente uma semana atrás. O "gatchinho" também não fez nenhuma questão de esconder o lance do beijo quádruplo e espalhava pra todo mundo que havia me pegado. Ele se despediu em seguida dizendo que estava atrasado e foi embora pedindo para que eu fosse até sua casa qualquer hora para conversarmos mais. Ainda gritou do outro lado da rua que na semana seguinte estaria cheio de coisas pra fazer no trabalho e provavelmente chegaria tarde em casa. Pensei em gritar que eu entraria em semana de provas finais na faculdade e também estaria bastante ocupado, mas ele seguiu em frente e não olhou pra trás. Logo o perdi de vista.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

De volta pra casa

        Voltar pra casa após um dia na Parada Gay de São Paulo sem sentir uma pontinha sequer de depressão pós-parada é bem difícil. Eu afundei numa fossa destruidora ainda no caminho. Conseguimos sobreviver à loucura e confusão que estava toda aquela região da cidade, pegar o carro no estacionamento e seguir viagem. Estava um pouco tarde e misturado ao clima apimentado e quente  que rolava, havia também uma grande tensão. Algo tinha acontecido e as emoções e hormônios pareciam nos dominar. Enquanto beijava o garoto que insistia em me chamar de "gatchinho", também no banco de trás do carro agora estava o ficante do motorista. E na frente estava meu amigo gay, talvez para evitar discussões entre o casal que passara o dia todo com cara de quem não estava curtindo nada daquilo. Tá, eles deviam ter brigado e agora estavam evitando se olharem. Estava me lixando. Mal os conhecia. Tentei puxar conversa pra ver se aliviava a tensão que pairava no interior do veículo. Perguntei sobre o garoto que meu amigo gay beijara e ele só me respondeu que "foi legal". Desconfiei daquela resposta. O cara foi gritando, rindo e falando sem parar e na volta, apenas um "foi legal"? Como assim? Tentei encará-lo pelo espelho mas não obtive sucesso. Porém, percebi logo que algo estava acontecendo. Naquele exato momento, além de um certo flerte entre ele e o "motorista", a cara incrédula e furiosa do que agora talvez fosse "ex-ficante do motorista", que já percebera o que rolava a frente. Clima quente mesmo. Nem enxerguei a mão do meu amigo. Vi que estava dentro da calça do cara. Movimentos lentos masturbavam-no e desviei a vista para tentar analisar a situação. Achei que fosse rolar o maior quebra pau ali.
        Mais uns quilômetros a frente e o carro parou. Achei que alguém fosse descer para mijar e permaneci onde estava. O "gatchinho" me beijava e começou a alisar meu pênis por fora da calça. Eu estava excitado. De repente me vi no carro com o cara me agarrando e o "ex-ficante do motorista" de cara feia ao lado. Coitadinho dele! Do lado de fora ouviu-se uns gemidos suspeitos e então vi que o negócio estava ainda mais complicado do que uma punheta pra finalizar a viagem. Estavam transando lá fora. Ficamos alguns minutos parados até finalmente o novo casal voltar para seguirmos viagem. A dor que aquele garoto sentiu vendo tudo aquilo era totalmente inexplicável. Eu me sensibilizei demais com a traição sofrida por ele. Meu "amigo gay" e o "motorista" foram totalmente mau-caráter. Aprontaram uma sacanagem e fingiram que nada havia acontecido. Fingiram não, apenas permaneceram como se nada tivesse acontecido. Foi uma sacanagem nua e crua. Com direito a penetração e gozo!