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terça-feira, 28 de junho de 2011

Na casa do meu amigo gay

     Não sabia se estava namorando. Mas já tinha certeza que era gay e estava adorando ser assim. Um mundo tão complexo, tão difícil e distante de repente era o meu mundo. Estava tão encantado que queria gritar minha felicidade aos quatro cantos. Eu conhecia novas pessoas, fazia novos grandes amigos e me apaixonava ainda mais pelo meu primeiro amor. Como era gostoso aquela felicidade correspondida. Nos dias que se passaram eu deixei de me descobrir e me concentrei em explorar a vida de um gay. Um gay que aceitava sua orientação mesmo ainda temendo um pouco certa exposição. Queria conhecer outros garotos gays, queria conhecer lésbicas... Queria desbravar.
     A casa que foi cinema, cenário para o início daquela minha linda história passou a ser o local onde podia vê-lo sem medos ou neuras. Lá, éramos tão aceitos por todos. Tão bem recebidos... Seria maravilhoso se minha família me entendesse como as pessoas ali se entendiam e pudéssemos conviver sem segredos, sem dramas... Em harmonia.
     Meu primeiro amigo gay assumido era o dono da casa e nos acolhia sempre muito bem. Ele sabia que estávamos ali também porque era o único canto para meu primeiro amor e eu ficarmos juntos. Estávamos começando a formar um pequeno grupo de amigos. De grandes amigos. Era isso que achávamos. Conversas longas que viravam a madrugada, risadas deliciosas, piadas e muitas besteiras faladas regavam nossos encontros. Cantávamos e falávamos sobre os filmes e músicas preferidas por cada um. Defendíamos ídolos das criticas e ofensas propositais dos outros, nos divertíamos vendo a coleção de infinitas revistas e pôsteres da Sandy do meu primeiro amigo gay assumido, falávamos de homens bonitos, musculosos, gostosos e afins, falávamos bem e mal dos outros e como poderia esquecer da pipoca com café?! (Risada) Era bom demais estar com pessoas iguais a mim. Iguais, porém mais avançadas. Eu não conhecia nada mais que aquilo. Aquelas conversas eram tudo que conhecia do mundo gay. Por mais curiosidade que tivesse com as histórias de vida deles (ambos eram 3 e 4 anos mais velhos que eu), temia passar por algo parecido. Achava que seria dar passos rápidos demais. Como falar de ex-namorados se eu estava beijando um garoto que nem sabia se era ou não meu primeiro namorado? Como falar de sexo se era tão virgem quanto minha irmã de nove anos? Se pudesse até preferiria me trancar e viver apenas aquilo com que havia me deparado até então. Todas aquelas coisas maravilhosas. Aquela liberdade de poder ser, pensar e falar o que eu era... Um garoto apaixonado. E desesperado por não conseguir conter dentro de si tanto vislumbramento...

domingo, 26 de junho de 2011

Eu não quero voltar sozinho


A descoberta natural da sexualidade da maneira que realmente acontece na vida. Um olhar simples e delicado para o amor homossexual.




Desde a estréia no 3º Festival Paulínia de cinema, Eu Não Quero Voltar Sozinho foi exibido em 21 festivais onde recebeu 27 prêmios.