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terça-feira, 24 de abril de 2012

Te quero, mas como amigo!

     A chuva não demorou para cessar. Quando chegamos na esquina onde conversamos da outra vez, ainda pingava e resolvi acompanha-lo até sua casa para só então retornar à minha. Apesar de já estarmos bastante molhados, era possível ficar totalmente ensopado se qualquer um de nós fosse sem guarda-chuva. Andamos mais alguns metros e ele decidiu que já dava pra seguir sozinho. Fiquei analisando perplexo tudo que acontecera aquela noite e decidi não ir embora outra vez com dúvidas e sofrendo por causa dele. Perguntei a razão de ter me convidado para aquele programa no mínimo estranho na casa de alguém que sequer estava na cidade. Por quê? O que queria com tudo aquilo? Me machucar ainda mais? E antes de falar qualquer coisa, sorriu irônico. Aquilo me incomodou, me machucou. Meu primeiro amor disse então que talvez não tivesse sido uma boa ideia ter me chamado. Sua intenção era sim uma reaproximação. Queria ser meu amigo. Qualquer coisa que tivesse acontecido entre nós não aconteceria mais. Não teria continuidade por enquanto, porque ainda estava confuso. Os sentimentos dele ainda estavam bagunçados e não queria dar esperanças nem me fazer criar expectativas em relação a nós. Também não queria me ver sofrendo ou com raiva. Disse que eu era um cara bacana, e precisava da minha amizade. O que acontecera aquela noite fora um simples desencontro. Realmente quis me chamar para assistir o filme e não imaginava que nosso amigo não estivesse em casa. De qualquer forma, apesar do clima estranho entre nós, havia gostado. Era uma chance de podermos conversar, mesmo não tendo planejado nada daquilo que estávamos conversando.
     A verdade é que enquanto ele falava eu só conseguia tentar encontrar o erro em mim. Onde havia errado pra tê-lo perdido? Apesar de estar escancarado que a confusão e incerteza estava  só na cabeça dele. Fechei o guarda-chuva quando percebi que não chovia mais e me vi também um pouco trêmulo. Um nó na garganta. Vontade de beija-lo e dizer que precisava dele, mais que simplesmente o querer. Era a primeira vez que me apaixonava daquela maneira e queria poder ter a chance de viver aquilo mais intensamente. Não estava nem aí para qualquer outra pessoa que talvez estivesse no coração dele. Eu merecia uma chance. Segurei qualquer lágrima que teimasse em cair e me declarei. Outra vez. Falei tudo que estava sentindo por ele. Todo o amor que ainda me consumia e maltratava. Quase infartei quando ele passou na minha cara que nós mal havíamos terminado e eu já estava beijando o mundo na Parada Gay. Entendi tudo quando ouvi essa frase. Não havia beijado o mundo na Parada! E mesmo que tivesse beijado "o mundo", quem tomou os chifres fui eu. Quem fora enganado? Então quer dizer que além de chorar e sofrer, deveria também ficar me humilhando pra ele? Quem sumira, eu? Tentando sair de mocinho e me jogar o papel de vilão? Respirei fundo e segurei a vontade de começar uma discussão para tentar me defender. Não estava em condições emocionais para formular qualquer desculpa ou justificativa. Certeza da minha inocência e ingenuidade eu tinha de sobra! Mostrei o guarda-chuva e perguntei se queria levar ou preferia que ficasse comigo. Ele percebeu meu incômodo e disse que devolveria no dia seguinte. 
"- Eu gosto de você cara! - Disse eu finalmente. - Mesmo com todos os meus e os seus erros. Gosto de você, mas gostar sozinho não é legal!"
"- Gosto de você também! Mas nesse momento de confusão, prefiro tentar entender meus sentimentos sozinho. E quero você como meu amigo." 
     A amizade deve ser guardada no lado esquerdo do peito. Zelada e protegida como à um diamante. Ela é mais valiosa que qualquer sentimento existente. Só tome cuidado pra não colocá-la próxima demais do amor. Você vai se foder no final! Vão querer sua amizade e seu amor que se dane!
     O pior foi ter ouvido ele comparando nossa possível e desejada amizade com a das personagens no filme. Uma amizade que incluía também nosso amigo ausente. As três se conheceram, se uniram e criaram um laço muito forte e carinhoso. Quase vomitei nessa hora e me perguntei se ainda olharia na minha cara se o mandasse à merda...


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Déjà Vu

     Esperei pouco tempo até meu primeiro amor aparecer. Estava tão lindo, tão perfumado... Gritei tchau à minha mãe e fui com ele. No caminho poucas palavras. Esperava que me dissesse algo, enquanto ele talvez esperasse algo que nem mesmo sabia o que era. Falamos sobre nossos empregos e minha faculdade entre os intervalos longos e incômodos de silêncio até chegarmos na casa do nosso amigo gay. Foi ele que bateu palmas enquanto ia abrindo o portão e entrando. Lá de dentro veio a voz da mãe do amigo dizendo para entrarmos. Envergonhados, seguimos para dentro. Ela nos olhou assustada e disse que o filho não estava. Havia viajado a trabalho, mas era pra ficarmos a vontade. Disse que faria um cafezinho pra gente e foi pra cozinha. Juro que fiquei sem chão. Muito sem graça. Não estava entendendo mais nada. Como ele me ligava do nada para uma visita à alguém que sequer estava em casa? O que ele queria com aquilo tudo? Sabia perfeitamente que eu estava sofrendo sem ele e de repente isso... Era confuso demais. A situação e ele.
     Tomei bem lentamente duas xícaras de café enquanto assistíamos outra vez o filme que vimos logo que nos conhecemos. Foi como um déjà vu. Nós dois sozinhos na sala, deitados no chão, a televisão ligada e meus pensamentos bem longe. Não sabia o que fazer ou o que falar, mas dessa vez eu sabia que o melhor a se fazer era ficar quieto. Ele que tentasse algo, se quisesse. E pelo andar das coisas acho que não queria nada. Deu risadas quase o tempo todo. Parecia até já ter decorado várias falas e algumas cenas completas enquanto eu mal conseguia prestar atenção ou lembrar o nome do filme. Não me disse o real motivo pra ter me chamado e sequer se aproximou de mim. Como esperar algo daquele ser tão cheio de dúvidas e neuras? E pensar que havia faltado na aula para estar ali. E ainda pegaria uma tremenda chuva na hora de ir embora. O céu despencou do nada e como desgraça pouca é bobagem, o filme acabou bem nessa hora. Apressados, fomos até o quarto da mãe do nosso amigo e avisamos que estávamos indo embora. Ela pediu para esperar por causa da chuva, mas meu primeiro amor insistiu em ir. Muito prestativa ela ainda nos emprestou o único guarda-chuva que havia na casa. Fomos nos apertando e tentando escapar da água depois de sermos convidados a voltar para visitá-la sempre que quiséssemos. E a cena de ambos se protegendo tão próximos um do outro parecia tão romântica... 

terça-feira, 17 de abril de 2012

Bullying no concurso público ( Final )

     Não errei a direção da sala na segunda vez. Faltavam quinze minutos para o início da outra parte da prova e ao entrar, percebi que a mesma estava bem vazia. A fashionista não apareceu. O marrento também não deu as caras. Todos os japoneses retornaram e para minha alegria o gostosão também já estava. Duas fileiras ao lado. Braços fortes, peitoral bem definido, bunda deliciosa e que pernas eram aquelas? O cara era um Deus! Estava de bermuda e mostrava parte das coxas lindas... Tão lindas que a cara de louco dele pouco importava! Devia estar babando, tentando enxergar o volume entre suas pernas. Uma vontade desesperadora de ir até ele, arrancar sua bermuda, ficar de joelho e me acabar no sexo oral! Cheguei até a ficar levemente excitado só de olhar o cara. Aquilo era um abuso! Como conseguiria me concentrar nas questões com aquele gato logo ali? O que eu sofria ali também era bullying! Tinha que ser tão gostoso?
     Quando autorizados a começar a prova, percebi que minhas chances reais de obter uma boa classificação entre as 3500 inscritas eram maiores, uma vez que quase metade das pessoas desistiram. As questões da parte da tarde também estavam muito difíceis. Me arrependi profundamente de tão ter estudado nada e ainda cheguei a conclusão que salário alto em cargos públicos é sinal de depressão e crise existencial naquele momento. Me senti muito mal. Um verdadeiro escroto, verme! Minha vontade era entregar aquela merda em branco e sair correndo. Ainda tava passando vontade com o bonitão ali... Quase dei um grito, mas me controlei, imaginando o bullying que receberia logo em seguida. E se me convidassem pra sair da sala? Pode gritar em concurso público? No meio da prova? Enfim, fiquei quietinho rachando a mente para tentar acabar logo o sofrimento. Outra vez fui um dos últimos a terminar. A redação foi a pior parte. Foi horrível! Fui horrível também. Tenho certeza que se chegar a ser corrigida vai zerar. Devo ter passado longe do tema, acho até que nem falei coisa com coisa... Mas naquele momento eu queria mesmo era ir logo embora pra minha casa. E não é que o tesão terminou a dele no mesmo instante que eu? Que fofo! Entregou o gabarito, pegou as canetas e saiu, logo na minha frente. Vontade de meter a mão na bunda, apertar! Ai, ai... Logo à frente encontrou uma amiga e saíram comentando as questões. Enquanto eu caminhei devagar com dor de cabeça, fome e me sentindo destruído. Me sentindo estuprado...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Bullying no concurso público ( Parte I )


     Resolvi pular alguns anos no tempo aqui no blog para falar sobre um assunto que me causa um misto de revolta, compaixão e estresse. Dois na verdade, o bullying e o concurso público. Foi em conversa com um amigo em uma rede social esses dias que me lembrei desse episódio e resolvi contar o que penso sobre isso. Ele acabou de prestar um concurso na cidade dele, cujo nome não me lembro agora, mas também não vem ao caso. Estávamos trocando algumas experiências. Pois é, há um tempo eu também fui tentar a sorte na vida de concurseiro. Espalhei pra todo mundo que iria fazer a prova e já me sentia um funcionário público. Como se já tivesse passado na prova. Não me preocupei em estudar nada nos quase dois meses que tive para me preparar desde a inscrição e quando chegou a véspera bateu uma dorzinha de barriga um pouco incômoda. A ansiedade não me deixou dormir direito e tive que acordar muito cedo pra ir até a escola onde aplicariam a prova. Um zumbi que mal conseguia pensar em outra coisa que não fosse a própria cama. A rua estava cheia de gente se movimentando ansiosos de um lado para outro. No muro, do lado de fora havia uma lista gigantesca com nomes e número das respectivas salas que os candidatos deveriam procurar. Eu já sabia onde deveria ir, então fiz cara de poucos amigos para quem parecia perdido em meio a tantos nomes e números de inscrição. Alguém esticou um panfleto na porta e eu recusei. Olhei rapidamente um cartaz que informava pra que lado deveria seguir para achar a sala 001 e fui para a esquerda. Uma moça muito simpática e de sorriso largo, apesar da hora, perguntou se podia me ajudar e irritado com seu bom humor novamente recusei ajuda dizendo que estava indo para a sala um. Foi nesse momento que comecei a perceber que o bullying, essa palavra relativamente nova pra mim, está presente e dominante em quase todas as pessoas envolvidas em um concurso público. A moça de sorriso largo me encarou com desdém e disse que eu estava do lado errado. Me devolvendo a pouca cordialidade de antes. Agradeci e me virei para o lado correto. Algumas pessoas paradas ali perto me olharam com ares de gozação e ainda ouvi a mulherzinha comentar com alguém que havia uma seta enorme no cartaz indicando o lado direito. Ok. Fui desagradável e ela apenas me devolveu uma pitadinha de mau-humor.
     Fui o segundo a entrar na sala e quando percebi que poderia ter dormido meia hora a mais fiquei mais irritado ainda. No edital estava escrito que era obrigatório chegar com uma hora de antecedência. E lá estava eu, uma hora plantado, esperando o restante das pessoas chegarem. Cada um que entrava já escancarava sua personalidade. Só no jeito de andar até suas carteiras e lógico, pela aparência. Percebi que a garota que já estava na sala era obviamente uma nerd extremamente pontual. Óculos, cara de quem sofreu muita gozação na época do ensino médio e uma forte concorrente a uma das vagas a qual eu pleiteava. O terceiro a entrar foi um senhor com seus sessenta anos, aproximadamente. Já tinha cara de funcionário público e era outro forte candidato. Aí foi a vez de entrar o primeiro japonês. Não havia pensado na possibilidade de ter muitos japoneses tentando também. Geralmente são inteligentes. Sofrem muito bullying no ensino fundamental e principalmente no médio, quando não beijam ninguém e sempre são vistos na biblioteca. Eu mesmo já chamei tanto eles de “Shing Ling”! Entrou a negra típica com cara de quem já enfrentou muito racismo, o gay afeminado com sobrancelhas finíssimas e andar de quem está na passarela, outro japonês, a senhora com cara de dona de casa, a fashionista que também parecia ter vindo direto da São Paulo Fashion Week, a gordinha de óculos, uma japonesa, outro senhor de idade, um rapaz irritantemente gostoso, mas com cara de louco e de repente a sala estava quase completa. Três pessoas certamente esqueceram ou dormiram demais ou ganharam na mega sena e desistiram da prova. A fiscal explicou os procedimentos e na hora do boa prova à todos, entra um atrasadinho. Cara de playboy, topete perfeito e cara de marrento. “Carioca”, eu deduzi. A mulher deu um rápido sermão e disse que só permitiria que ele fizesse por que ainda não tínhamos autorização para abrir os cadernos de questões. O rapaz sofreu bullying da velha e da fashionista que não disfarçou o riso. Prova difícil. Clima tenso.
“Com base nos dados seguintes: 1+2x+3y, responda: Para quê serve e qual a diferença entre a Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal?”
     Alguém abriu um pacote de salgadinho e começou a fazer barulho com a embalagem. Jurava que era proibido comer durante a prova, mas, a dona de casa não foi advertida. Devo ter sido o único também a não ir ao banheiro. Povo estava com problemas urinários, só pode! Um dos japoneses chegou a ir três vezes! Mais uma ida e eu pediria para que deixassem ele levar a prova pro banheiro. Após o fim do período mínimo de permanência na sala, a metade vazou. Eu ainda sofrendo com aquilo e as pessoas já terminando? A fashionista foi a primeira a entregar. “Inteligente”, pensei comigo outra vez. “Desgraçada”, conclui. E voltei às perguntas de economia e auditoria. A hora foi passando, as carteiras ficando vazias ao meu redor e quando dei uns dez chutes no que eu não fazia mesmo ideia das respostas, resolvi entregar e sumir dali. Deixei apenas quatro pessoas ainda se matando e fui procurar algo para comer e diminuir um pouco minha revolta por causa da fome. Eu tinha duas horas de intervalo. Exatamente duas horas antes de ter que voltar para a sala e começar a segunda parte. Isso mesmo, ainda havia uma segunda parte. Mais 25 questões e uma redação pra fazer.

sábado, 14 de abril de 2012

Eu já estava superando...

Quando você começa a superar um fora. Quando já não pensa naquela pessoa o dia todo. Quando parece que tudo vai andar e está conseguindo superar, algo acontece, olha que legal! Um belo dia seu telefone toca e para sua surpresa e de mais ninguém, quem é? Sim, ele mesmo. Muito estranho. Quase não acreditei quando vi o número do telefone da casa do meu primeiro amor no visor. O que ele queria? Pra que me ligar? Enquanto tentava imaginar a razão da ligação o telefone gritava. Uma mulher me olhou como se exigisse que eu atendesse logo. Me senti pressionado por ela e apertei a tecla que talvez me fizesse afundar outra vez. Uma tecla e eu voltava a só pensar nele todo o tempo. Sofrer. Poderia dizer "eu amo você e quero tentar de novo". Poderia dizer também que me escolhera. Poderia dizer tanta coisa que me deixaria feliz, mas eu tinha medo mesmo de ouvir um "me esquece". Qual a razão de me ligar quando eu acreditava estar pensando nele só durante 70% do meu dia, fazer isso aumentar para 97% e dizer apenas "me esquece"? Isso aí já seria mau caratismo! Pura maldade.
Quando atendi o telefone a voz quase não saiu. Trêmula. As palavras se atropelaram. Mas no final da história, ou da ligação, o que ele pediu foi simples. Primeiro perguntou se eu estaria livre aquela noite. Respondi que sim, mesmo tendo aula de contabilidade. Depois me chamou para passar na casa do meu amigo gay logo mais. Concordei na hora e antes de desligar confirmei o horário que ele poderia passar na minha casa. Demorei um certo tempo para voltar ao normal e sair do estado de choque. O próximo passo era pensar rápido em dar à minha mãe uma desculpa para não ter ido à faculdade. Odiava quando ela começava sermão. Quando saí do estágio, voei pra casa e tão logo saia do banho para me arrumar, outro banho de perfume e já esperava ansioso por ele. Liguei para o motorista da van que eu fretava para ir à faculdade e avisei que iria faltar. Ele insistiu e buzinou na porta da minha casa no horário. Fiz sinal que não ia mesmo e ele seguiu seu rumo. Minha mãe acreditou quando disse que não haveria aula apenas para minha turma. De verdade, se meu primeiro amor não aparecesse eu ficaria muito frustrado.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ainda existia amor em mim

Apesar de ser tudo recente e novo e de ter ficado com outras pessoas, ainda amava meu primeiro amor. Intensamente. Era com ele que queria ficar, estar junto. Passar mais tempo aprendendo e vivendo a vida. Desabafei para algumas pessoas no estágio e ouvi criticas. Contei o que estava sentindo e tudo que acontecera. Me disseram para parar de besteira e seguir em frente. Chorei. Não só por não estar com ele, mas por perceber que me apaixonara demais e ainda gostava dele. Ainda precisava dele. Sim, eu estava novo. Havia muito para viver e aprender. Mas a ansiedade e desespero não me deixavam viver um dia de cada vez, ocupar a cabeça com outras coisas, ao contrário. Largava tudo para pensar nele. Sofrer por ele.
E como lidar com a rejeição? Como agir nessa situação em que se descobre gay, se apaixona loucamente e o cara mesmo mais experiente parece mais confuso que você? Talvez essa minha descoberta e aceitação da sexualidade tenha sido rápida demais, o que não é de forma alguma ruim, mas e para pessoas complicadas e neuróticas como meu primeiro amor? Nunca daria para entender como ele pensava, do que tinha medo. Lembrar dele me trazia um leve pesar no peito. Doía imaginar o fim ou perceber o quão tolo eu fora em diversas situações. Poderia ter sido mais firme, mais direto, mais amoroso, menos frio e menos medroso. Como me fazia mal ama-lo daquela forma... Ainda gostar tanto de alguém que eu sequer sabia o que pensava. Se gostava ou ainda queria me amar. Afinal, de minha parte sim, ainda existia muito amor!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A descoberta da sigla

Eu não sou uma pessoa alienada, desinformada ou que se lixa para a situação política do país e da sociedade. Eu "era" assim. Não queria saber de nada. O Brasil que se danasse! Quando me chamaram para conhecer um partido político eu simplesmente dei risada. Aquilo era ridículo e não me via de jeito nenhum em meio a tanta besteira, mentiras e roubalheira. Mas aí me explicaram que o início era simplesmente conhecer como funciona e o que pensa o partido. Quais princípios e propósitos. Vale ressaltar que a intenção desse post não é tentar captar militantes. Eu mesmo como já disse, achei a ideia idiota demais no início. Só que fui vencido pela insistência e acabei indo à uma reunião para que me apresentassem logo aquela porcaria e pudesse ficar livre de tanta encheção. Durante a falação eu tentei me concentrar e acho que estive com cara de paisagem durante todo o tempo, mas consegui disfarçar a falta de interesse. Saí de lá indiferente. A única coisa que me pareceu interessante foi a tal secretaria GLBTTs, citada várias vezes. Não fiz perguntas sobre, mas achei a posição de apoio à causa muito legal. Não sabia se voltaria mais vezes e se isso acontecesse seria por causa da luta contra a opressão à gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros. O resto? Bom, pra quem não queria saber de porra nenhuma, gostar e estar por dentro desse assunto já estaria me levando pra dentro da discussão política. Que mais eles queriam? Ao menos descobri o que significava a sigla e o que eram aquele monte de tês. Claro que posteriormente o google me esclareceu tudo.

Inicialmente, o termo mais comum era GLS, sendo a representação para: gays, lésbicas e simpatizantes. Com o crescimento do movimento contra a homofobia e da livre expressão sexual, a sigla GLS foi alterada para GLBS, ou seja Gays, Lésbicas, Bissexuais e Simpatizantes que logo foi mudado para GLBT e GLBTS com a inclusão da categoria dos transgêneros (travestis, transexuais,  transformistas, crossdressers, bonecas e drag queens, dentre outros). A sigla GLBT ou GLBTS perdurou por pouco tempo pois o movimento lésbico ganhou mais sensibilidade dentro do movimento homossexual e a sigla foi alterada para LGBTS. Atualmente a sigla mais completa em uso pelos movimentos homossexuais é LGBTTIS, que significa: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros, Transexuais, Intersexuais e Simpatizantes, sendo que o “S” de simpatizantes pode ser substituído pela letra “A” de Aliados ou ainda acrescido a Letra “Q” de Queer que não é muito comum, porém é utilizada em alguns países e por alguns grupos do movimento gay.
A inclusão do “L” na frente da sigla do movimento gay deu-se pelo grande crescimento do movimento lésbico e pelo apoio da comunidade gay às mulheres homossexuais.

Fonte da explicação da sigla: Wikipédia, http://pt.wikipedia.org/wiki/LGBT

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Gracinha de vizinha!

De repente passei a odiar a Carol Castro. Sim, a Carol Castro. Aquela atrizinha até talentosinha da globo. Que  fazia papel da Gracinha em Mulheres Apaixonadas. Talentosinha hoje, por que na época da novela a interpretação era meia boca! Bem meia boca! Quer saber a razão de tanto ódio? Meu amigo gay disse que a garota que havia ficado com meu primeiro amor era a própria vizinha. Uma gordinha metida a simpática, insuportável! Ao mesmo tempo em que queria saber quem era a vaca que o disputara comigo e provavelmente ganhara, queria que ela simplesmente morresse e eu sequer imaginasse quem era. Mas meu amigo estragou tudo. A condenou a ser alvo de meus pensamentos homicidas por muito tempo. E ainda soube mais, parece que ela já havia chutado ele pra escanteio. Parece que a fila andou rápido pra ela. O que era muito bom e ainda assim não a livrava das minhas macumbas e pragas eternas. Se fosse verdade era algo muito bem feito pra ele e pra mim! O que a biscate tem a ver com a Carol Castro? Não, eu não esqueci disso. O simples fato de que são bem parecidas. Muito parecidas. Não estou dizendo que ela lembra a atriz. Ela é a cara da Carol Castro! Cuspida, escarrada e golfada! E meu amigo gay ainda ousou me dizer que ela também era uma "gracinha" e não tinha culpa de nada na história. Assim como eu, fora enganada. Antes de cortar relações com ele por causa do comentário, fiz cara de pouco caso e mudei de assunto para evitar discussão. Ele defendia demais o amigo, agora ia defender a garota também? Se a visse na minha frente àquela época eu dava uma voadora antes dela pensar em piscar. Quebrava a cara daquela vadia sem dó! E não estou falando da atriz. Aquela lá sim, ainda deu uma sorte lascada de dar uns pegas no delicinha do Erik Marmo.
Pois é, não tive paciência de procurar um vídeo sem dublagem. Mas foi até melhor assim. A voz dela me irrita um pouco. E não estou falando da menina que ficou com meu primeiro amor.

domingo, 1 de abril de 2012

Beijando um passivo

Fui até a casa do meu amigo um certo dia fazer uma visita. Aquele que foi ridiculamente humilhado na volta da Parada Gay. O ex ficante do motorista. Gostava de conversar com ele, apesar de quase todos o acharem idiota e caipira. Não há como negar que havia sim um pouco de compaixão na minha amizade. O lance é que papo vai, papo vem, rolou algo estranho. Não diria química por que no nosso caso essa matéria nem existia. Sei lá, foi meio que curiosidade mesmo. Ficamos. Demos uns beijinhos meia boca e só. Nunca contei pra ninguém, mas o cara beijava muito mal. Quase me engoliu e sua boca me degustava nos mesmos movimentos sincronizados. Foi chato. Mega chato. Ele era declaradamente passivo e eu outra vez não fiquei excitado. Será que isso me fazia falhar como ativo? Seria eu um passivo também? Ao contrário do que acontecera no post anterior, dessa vez só rolaria uns beijos mesmo. E depois de tudo, na hora de ir embora, pensei que talvez aquele tivesse sido o fim de nossa amizade. Nossa breve amizade. Geralmente depois de uma experiência mal sucedida como aquela, acontecia um distanciamento silencioso e temeroso. Quem é que gosta de saber que tem fofoca rolando a seu respeito? Que você beija mal ou sequer ficou de pau duro enquanto beijava? Enfim, permaneceríamos com nossos segredos, chantageados pelo silêncio do outro. Nossas verdades, nossas armas...