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domingo, 1 de abril de 2012

Beijando um passivo

Fui até a casa do meu amigo um certo dia fazer uma visita. Aquele que foi ridiculamente humilhado na volta da Parada Gay. O ex ficante do motorista. Gostava de conversar com ele, apesar de quase todos o acharem idiota e caipira. Não há como negar que havia sim um pouco de compaixão na minha amizade. O lance é que papo vai, papo vem, rolou algo estranho. Não diria química por que no nosso caso essa matéria nem existia. Sei lá, foi meio que curiosidade mesmo. Ficamos. Demos uns beijinhos meia boca e só. Nunca contei pra ninguém, mas o cara beijava muito mal. Quase me engoliu e sua boca me degustava nos mesmos movimentos sincronizados. Foi chato. Mega chato. Ele era declaradamente passivo e eu outra vez não fiquei excitado. Será que isso me fazia falhar como ativo? Seria eu um passivo também? Ao contrário do que acontecera no post anterior, dessa vez só rolaria uns beijos mesmo. E depois de tudo, na hora de ir embora, pensei que talvez aquele tivesse sido o fim de nossa amizade. Nossa breve amizade. Geralmente depois de uma experiência mal sucedida como aquela, acontecia um distanciamento silencioso e temeroso. Quem é que gosta de saber que tem fofoca rolando a seu respeito? Que você beija mal ou sequer ficou de pau duro enquanto beijava? Enfim, permaneceríamos com nossos segredos, chantageados pelo silêncio do outro. Nossas verdades, nossas armas...

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