Total de visualizações de página

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Déjà Vu

     Esperei pouco tempo até meu primeiro amor aparecer. Estava tão lindo, tão perfumado... Gritei tchau à minha mãe e fui com ele. No caminho poucas palavras. Esperava que me dissesse algo, enquanto ele talvez esperasse algo que nem mesmo sabia o que era. Falamos sobre nossos empregos e minha faculdade entre os intervalos longos e incômodos de silêncio até chegarmos na casa do nosso amigo gay. Foi ele que bateu palmas enquanto ia abrindo o portão e entrando. Lá de dentro veio a voz da mãe do amigo dizendo para entrarmos. Envergonhados, seguimos para dentro. Ela nos olhou assustada e disse que o filho não estava. Havia viajado a trabalho, mas era pra ficarmos a vontade. Disse que faria um cafezinho pra gente e foi pra cozinha. Juro que fiquei sem chão. Muito sem graça. Não estava entendendo mais nada. Como ele me ligava do nada para uma visita à alguém que sequer estava em casa? O que ele queria com aquilo tudo? Sabia perfeitamente que eu estava sofrendo sem ele e de repente isso... Era confuso demais. A situação e ele.
     Tomei bem lentamente duas xícaras de café enquanto assistíamos outra vez o filme que vimos logo que nos conhecemos. Foi como um déjà vu. Nós dois sozinhos na sala, deitados no chão, a televisão ligada e meus pensamentos bem longe. Não sabia o que fazer ou o que falar, mas dessa vez eu sabia que o melhor a se fazer era ficar quieto. Ele que tentasse algo, se quisesse. E pelo andar das coisas acho que não queria nada. Deu risadas quase o tempo todo. Parecia até já ter decorado várias falas e algumas cenas completas enquanto eu mal conseguia prestar atenção ou lembrar o nome do filme. Não me disse o real motivo pra ter me chamado e sequer se aproximou de mim. Como esperar algo daquele ser tão cheio de dúvidas e neuras? E pensar que havia faltado na aula para estar ali. E ainda pegaria uma tremenda chuva na hora de ir embora. O céu despencou do nada e como desgraça pouca é bobagem, o filme acabou bem nessa hora. Apressados, fomos até o quarto da mãe do nosso amigo e avisamos que estávamos indo embora. Ela pediu para esperar por causa da chuva, mas meu primeiro amor insistiu em ir. Muito prestativa ela ainda nos emprestou o único guarda-chuva que havia na casa. Fomos nos apertando e tentando escapar da água depois de sermos convidados a voltar para visitá-la sempre que quiséssemos. E a cena de ambos se protegendo tão próximos um do outro parecia tão romântica... 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Diga o que achou desse pedacinho da vida do bandoleiro gay...