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sábado, 14 de abril de 2012

Eu já estava superando...

Quando você começa a superar um fora. Quando já não pensa naquela pessoa o dia todo. Quando parece que tudo vai andar e está conseguindo superar, algo acontece, olha que legal! Um belo dia seu telefone toca e para sua surpresa e de mais ninguém, quem é? Sim, ele mesmo. Muito estranho. Quase não acreditei quando vi o número do telefone da casa do meu primeiro amor no visor. O que ele queria? Pra que me ligar? Enquanto tentava imaginar a razão da ligação o telefone gritava. Uma mulher me olhou como se exigisse que eu atendesse logo. Me senti pressionado por ela e apertei a tecla que talvez me fizesse afundar outra vez. Uma tecla e eu voltava a só pensar nele todo o tempo. Sofrer. Poderia dizer "eu amo você e quero tentar de novo". Poderia dizer também que me escolhera. Poderia dizer tanta coisa que me deixaria feliz, mas eu tinha medo mesmo de ouvir um "me esquece". Qual a razão de me ligar quando eu acreditava estar pensando nele só durante 70% do meu dia, fazer isso aumentar para 97% e dizer apenas "me esquece"? Isso aí já seria mau caratismo! Pura maldade.
Quando atendi o telefone a voz quase não saiu. Trêmula. As palavras se atropelaram. Mas no final da história, ou da ligação, o que ele pediu foi simples. Primeiro perguntou se eu estaria livre aquela noite. Respondi que sim, mesmo tendo aula de contabilidade. Depois me chamou para passar na casa do meu amigo gay logo mais. Concordei na hora e antes de desligar confirmei o horário que ele poderia passar na minha casa. Demorei um certo tempo para voltar ao normal e sair do estado de choque. O próximo passo era pensar rápido em dar à minha mãe uma desculpa para não ter ido à faculdade. Odiava quando ela começava sermão. Quando saí do estágio, voei pra casa e tão logo saia do banho para me arrumar, outro banho de perfume e já esperava ansioso por ele. Liguei para o motorista da van que eu fretava para ir à faculdade e avisei que iria faltar. Ele insistiu e buzinou na porta da minha casa no horário. Fiz sinal que não ia mesmo e ele seguiu seu rumo. Minha mãe acreditou quando disse que não haveria aula apenas para minha turma. De verdade, se meu primeiro amor não aparecesse eu ficaria muito frustrado.

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