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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Manifestação

     Andava muito ocupado com minha militância ativa no movimento estudantil e criação da secretaria de gays e lésbicas do partido na minha cidade. Ainda tinha que estudar para as matérias da faculdade e me concentrar no trabalho. Até conciliava tudo direitinho, mas a política me ganhava em qualquer disputa de afazeres. Como no dia em que seguia para o trabalho normalmente quando o ônibus teve que mudar sua rota normal por que estava acontecendo um protesto de estudantes no centro da cidade. Ouvi o barulho e não entendi do que se tratava a princípio. Só quando disseram que era algum tipo de protesto lembrei que realmente aconteceria. As pessoas resmungavam e maldiziam os baderneiros que atrapalhavam e atrasavam suas rotinas. Enquanto eu vibrava. Adrenalina tomando conta de mim por inteiro.
     Ainda havia tempo antes de dar a hora de entrar no trabalho. Depender do transporte público sempre foi terrível e, ou chegava cedo demais ou atrasado. Não pensei duas vezes antes de saltar na parada seguinte e correr até o protesto que tomava conta de uma das principais avenidas. Encontrei algumas pessoas do partido e muita gente desconhecida também aderia à caminhada. Alguém me passou uma das grandes bandeiras do partido e segui atrás do carro de som empolgado. Segui com o protesto por uns 800 metros e entreguei a bandeira para alguém. Não poderia seguir até a câmara dos vereadores, destino final da manifestação. Não havia mais tempo. Segui até outro ponto de ônibus e instantes depois já estava chegando ao trabalho. Apenas a recepcionista percebeu meu atraso de quinze minutos. Fui direto para minha mesa e fingi estar ali há muito tempo, atolado de trabalho.
     Somente no dia seguinte ela veio até mim com ar irônico e superior, questionando onde mesmo eu havia me atrasado. Respondi com outra pergunta. O que ela estava querendo saber exatamente? Quem deve, teme. E fiquei pálido quando disse que havia uma foto minha na capa do jornal da cidade. O jornal que meu chefe lia todos os dias! Corri até a recepção para ver a tal foto. Enquanto procurava ela começou a rir do meu lado. Olhei a primeira página e não consegui me achar a princípio. Só depois percebi que ela estava mesmo pregando uma peça e me assustando. A foto mostrava um rapaz logo atrás do carro de som, segurando uma bandeira partidária, porém, era quase impossível ligar aquela figura da foto desfocada à minha pessoa. Só voltei a ficar tranquilo de verdade no outro dia, quando a nova edição chegou e percebi realmente que meu chefe não havia percebido nada daquela semelhança. Daquela mera coincidência.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Eles não eram Bambis!

     Quem ganhou o jogo do São Paulo? Contra quem mesmo ele jogou? Bom, isso tanto faz! Só queria saber se os torcedores vão ser motivo de chacota outra vez. Não sei de onde vem o termo "bambi" para quem torce para o tricolor paulista, mas acho nojento. É homofóbico e machista. E esse é um dos motivos pelo qual odeio o futebol e tudo que o cerca. Antigamente não era assim. Torcer para o São Paulo era sinal até de masculinidade. Digo isso lembrando do final da minha infância, pré adolescência. Lembro perfeitamente meus primos me zoando quando eu dizia que não torcia para time nenhum. Todos eram São Paulinos e riam quando eu fugia do assunto futebol nas discussões. Deviam me chamar de bicha pra baixo pelas costas e na minha frente era sempre a mesma baboseira. Queriam que eu entrasse na deles e morresse pelo time. Chorasse pelo time. Chegavam as vezes a brigar para saber quem sabia toda a escalação. Uma vez ganhei do meu pai uma carteira de presente com o símbolo enorme em alto relevo. Ridículo. No início não entendi a razão de ganhar aquilo. Só depois me disseram que ele havia comprado 4 iguais. Tipo promoção. Uma pra cada uma das crianças e todas do São Paulo.
     Tudo relacionado a futebol realmente me fazia mal. Não gostava de assistir na televisão muito menos jogar. E era sempre a mesma coisa. Entre a molecada que se matava pra fazer o gol eu estava no meio, mas era a exceção. Torcia contra só pra ficar mais tempo na reserva esperando no próximo time a jogar. Preferia ficar de fora. As vezes até boicotava. Fingia me machucar. Apesar disso, nunca fui agredido verbalmente por ninguém com termos pejorativos. Antes de me xingarem de boiola, soltavam o braço no meu primo mais novo. O caçula chato que sempre cortava o barato de todos. Ele sempre estragava tudo mesmo. Diferente de mim que disfarçava a má vontade com a bola. Minha pré adolescência foi assim. Só curtia mesmo futebol na copa do mundo, aí era só festa! Bandeirolas penduradas, asfalto da rua e rosto pintados, cornetas e barulho. Uma farra! Vai Brasil!
     Tive minha fase de acompanhar um campeonato do início ao fim. De torcer e saber o nome de todos os jogadores e posições em que jogavam. Até pedi uma camisa oficial de presente de aniversário, mas foi do Corinthians. Descobri anos depois que sou como a marchinha chata de carnaval do Silvio Santos. Meu coração é corinthiano! Meu cérebro, ainda bem, não é fanático por esse esporte! Principalmente nos dias de hoje, onde tanta canalhice esconde-se atrás disso. Nem vou comentar salários e falar sobre outros absurdos. Acho desnecessário. Resolvi escrever esse post apenas para expressar minha dúvida e revolta com essas chacotas e comparações entre torcedores do São Paulo e gays. Como se futebol definisse orientação sexual. E como sei que falar sobre, também não acrescentará nada na minha vida, vou encerrando por aqui. E isso tudo só por que veio a dúvida de quem ganhou o jogo...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Hora de se agasalhar!

     É difícil enfrentar a carência estando solteiro no inverno. E parece que é nessa época do ano que todo mundo a sua volta começa a namorar e muda status de relacionamento no facebook para enrolado, amizade colorida, noivo. Ninguém quer estar sozinho. Dói demais no peito sentir o corpo congelando e não ter alguém pra abraçar e te esquentar. É difícil levantar da cama (de solteiro) com o despertador berrando do lado e ter que ir se arrumar para o trabalho. Sem um beijo de bom dia ou um sorriso preguiçoso te convidando a voltar para a conchinha em que estavam. Todos estão felizes a sua volta. Na rua ou no trabalho. Parece que apenas você é o azedo no mundo todo. Os casais são felizes e não escondem isso. Esfregam a felicidade na cara de quem está na merda, sem compaixão. Pior quando dizem que ainda vai aparecer alguém bacana. Pro inferno esses que ficam esnobes ou se sentem superiores só por ter alguém pagando de namoradinho do lado! Passa inverno e estão todos solteiros de novo. 
     Dependendo da má fase em que estiver tendo que enfrentar, vai rolar até um casamento pra ir e que não há desculpa para dar e escapar da chatice. Casamento no inverno é o cúmulo do bullying contra um solteiro. Parece que só você e o padre são os solteiros. Se for evangélico então, conforme-se com a certeza de ser o único. As crianças te chamam de tio. E depois da festa, você ainda tem que deitar e tentar aguentar o frio mais uma noite, sozinho. Congelando. Odeio casais felizes! Odeio estar sozinho no inverno! Na televisão só tem gente namorando, trocando de namorado e matando os maridos e esposas pra ficar com amantes! Logo, eu é que estarei matando pra acabar com a palhaçada toda perto de mim! O jeito é se conformar mesmo. Sempre estou sozinho nos invernos e dia dos namorados, sempre! Vou é me agasalhar bem para além de solidão, não pegar também uma pneumonia. Enquanto a carência não me mata, vou disfarçar e me fingir solteiro feliz por opção própria!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ele só queria me comer! ( Final )

     Eu nunca disse que sou ou fui santo, apenas sou um pouco mais medroso do que deveria ser. O cara era ex de um amigo que estava quase todos os dias comigo, muita gente nos viu saindo juntos da festa, o dono da carona me viu descer na esquina da casa dele... Como não ter medo que virasse um problema? Também não dá pra negar que eu também queria. Queria muito. E não podia. Aí juntou também o medo e nervosismo  por ser minha primeira vez. O cara era experiente, charmoso, provavelmente bom de cama... Ficaria decepcionado com minha má desenvoltura na cama. Como agir? Deveria beijá-lo? Ele só queria sexo! Chegar na casa dele tirar a roupa e dizer "Vem, me come!" ou "Fica de quatro logo!"? Conversar? Haveria mesmo pizza? Enquanto andávamos devagar em direção ao abatedouro eu tentava ouvir meus pensamentos que estavam sendo atropelados pelas batidas do coração. Outra vez cogitei não seguir em frente e parei, mas ele me puxou novamente e disse que eu iria gostar. Da pizza. 
     Viramos a última esquina daquela rua e me deparei com o pequeno portão encostado. Tremi e perguntei se havia alguém em casa. Só consegui relaxar um pouco quando me disse que deixava mesmo o portão encostado por que estava quebrado e que estava morando sozinho há duas semanas. Quando o ex saiu de casa. Tomei um copo de água assim que me ofereceu algo para beber. Esperava que me lavasse o juízo e me desse força pra levantar e ir embora dali. Era loucura! Mas como estava a fim de cometer aquela loucura! E se ele risse quando eu tirasse a roupa? E se eu meu pau não subisse? Estava tão desesperado que nem percebi que ele ligou a TV e foi levar meu copo de volta pra cozinha. Permaneci imóvel algum tempo em dúvida até se estava respirando. Ele então sentou devagar ao lado e segurou em meu queixo devagar. Puxou-me pra si e me beijou. Um beijo bom. Não ótimo, inebriante, quente, sensual ou romântico. Um beijo comum de quem quer sexo por sexo. Ele então levantou-se, disse que iria comprar a pizza e me proibiu de sair de lá por qualquer motivo. Levaria dez minutos no máximo. Perguntou minha preferência e riu quando eu gaguejei a palavra calabresa. Saiu em seguida. 
     Era preciso pensar rápido. Ir embora? Pareceria ridículo! Nem deveria ter ido até lá. Ir embora e deixar um bilhete? Idiotice! Nem sabia onde tinha papel e caneta naquela casa. E se eu passasse um cheque? Eu nem estava preparado pra nada... E se dissesse que era ativo? Naquela loucura eu nem estava com tanto tesão assim, escolher papéis sexuais era demais. Ele devia ser ativo. Meu amigo era mais delicado que ele. Fiquei uns cinco minutos pensando essas coisas antes de correr para o banheiro. Sim, eu fui direto sentar no vaso sanitário. Não dava pra fazer porcaria de xuca nenhuma. Pra falar a verdade, quando tudo isso aconteceu, ninguém ainda havia me esclarecido o que a expressão significava. Sabia apenas que o bom seria fazer uma limpeza do reto antes da relação anal, mas também não dava pra fazer naquele momento. Que coisa, não? Era só ligar a gíria ao ato. Dar nome aos bois. Enfim. Estava eu tentando cagar em cinco minutos em uma casa estranha, onde o dono dela chegaria em breve e me enrabaria. Loucura! Óbvio que fiz força a toa. Não consegui nadinha. Lavei muito bem as mãos, me encarei no espelho e repeti três vezes em voz alta, "não vai doer, não vai doer, não vai doer. Nadinha." E lá estava eu sentadinho no sofá, como se nada tivesse acontecido quando chegaram, a pizza e ele, vinte minutos depois.
     Safado, veio até mim e disse que a pizza era sobremesa. Me agarrou com força e foi logo arrancando a roupa. Era tarde pra fugir. Quando seu pinto pulou pra fora já estava duro. Um pinto médio. No tamanho e na beleza. Quente e gostoso. Chupei. Procurei relaxar e não pensar em como estava ferrado para olhar meu amigo depois tendo trepado com o ex-marido dele. Quando comecei a me sentir a vontade, veio outro terremoto nas minhas emoções. Perguntou se eu era virgem. Balancei a cabeça que não e para tentar disfarçar disse que também não tinha tanta experiência. Será que eu estava chupando direito? Caprichei na mamada em seguida. Depois ele me chupou um pouco também e já pelados, deitamos no colchão que surgiu de trás do sofá. Sempre me beijando, deitou-se por cima e abriu minhas pernas. Pegou lubrificante e passou uma certa quantidade em mim. Pedi que passasse mais quando ele ia guardar. Já que ia  me comer, que não me fizesse sentir dor. Regular aquela porcaria de gel? Geladíssimo por sinal! Colocou a camisinha e ainda colocou um dedo dentro de mim antes de começar a penetrar. Que dor filha da puta! Achei que ia morrer! Enrijeci todos os músculos do corpo e bem devagar fui relaxando conforme me fazia carinho, beijava e penetrava mais. Logo entramos num frenesi muito bom e o entra e sai de pinto ficou alucinante! Sempre na mesma posição, gemi e dei com prazer na perda da minha virgindade! O que meu primeiro amor não quis fazer, o cara fez e muito bem! Quando gozou na minha barriga estava muito suado. Botei pra fora todo o esperma de uma vida inteira praticamente... Ficamos em silêncio uns dois minutos apenas e levantei apressado para tomar banho. Mesmo que quisesse entrar no chuveiro comigo, não permitiria. Sem maiores intimidades. Quando terminei, esperei ele tomar o dele e me despedi. Ele tentou me convencer a ficar mais um pouco para comer a pizza, mas pedi desculpas e recusei. Dei tchau e fui embora em seguida, já comido!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ele só queria me comer! ( Parte I )

     O outro gay no partido não militava no movimento estudantil, mas estava sempre comigo nas reuniões de organização da secretaria GLBTT. Muito focado nos objetivos em comum. Porém, fora de discussões sérias, seu assunto mais constante eram homens, pintos e sexo. Não de maneira vulgar, mas as vezes me irritava tantas insinuações. Tinha um companheiro ao qual morava junto há algum tempo, mas estava sempre reclamando de atitudes e pensamentos do cara. Quando não estavam brigados e separados. O que também era um pouco comum. Seu parceiro não era oficialmente do partido, embora, de vez em quando aparecesse por lá por algum motivo. Geralmente nas festinhas e confraternizações que organizávamos. 
     Devia ser meados de julho, quando prepararam uma festa para arrecadar a grana de uma viagem. Alguns se preparavam para irem a um fórum de discussão sobre a ALCA. Assunto super em alta nessa época. E ainda sem conhecer a maioria das pessoas fui à tal festa. O companheiro de secretaria estava em viagem para tratar de problemas pessoais familiares e não pôde comparecer. Seu atual ex-marido provavelmente aproveitou sua ausência para aparecer por lá e com toda certeza provocar ciúmes e comentários posteriormente. Só havia três pessoas assumidamente gays e dentre elas, eu. Como a outra era uma mulher, quem acabou sendo a vítima dele? Passei a ser observado o tempo todo da cabeça aos pés. Olhares de desejo e conquista. Conversei com uma garota e expliquei que estava me sentindo mal com o clima. Nem sabia o que os dois eram depois de tanto rolo naquele relacionamento confuso. E sem parecer surpresa, ela me disse para aproveitar o momento. Fiquei sem entender muito bem se quis dizer para eu apenas flertar e aproveitar o estar sendo desejado ou se era pra eu aproveitar e ficar com o cara. Coração acelerou e fiquei ainda mais sem graça. Me entregaram um bilhetinho pequeno e dobrado várias vezes. Nem precisei pensar muito para descobrir de quem era. "Você é uma delícia". Era o que estava escrito. Tinha cara de safado e não era de se jogar fora. Mas sair com ele poderia ser um belo de um problema no futuro. Sem falar na minha virgindade... Estava mais que claro que ele só queria me comer!
     Passei o máximo de tempo possível conversando com qualquer pessoa para me manter longe dele. Evitei seus olhares e me mantive em pânico, mas aparentemente tranquilo. Quando as pessoas começaram a ir embora, enquanto se despediam, o ex-marido do meu companheiro de partido se aproximou e puxou papo. Perguntou onde eu morava, idade e se morava com meus pais. Depois alguém que lhe daria carona o chamou e ele disse que eu também iria com eles. Tentei controlar meu desespero e disse que não precisava, mas ele me segurou pelo braço e quase me arrastou. "Vai de ônibus com uma carona aqui? Você mora perto e não custa nada." Não custava nada pra ele, mas quem estava dirigindo era outra pessoa. Para chegar na minha até passava pela casa dele, mas meu bairro era mais adiante. E desse jeito abrupto e sem tempo para recusa, fui praticamente sequestrado. Minha colega telefonou para saber onde eu estava e ainda muito sem graça, respondi que estava tudo bem e que ganhara carona. 
     O dono do carro nos deixou na esquina da casa dele e seguiu seu rumo. Agradeci e disse que iria até o ponto para pegar um outro ônibus até minha casa. Outra vez ele não deixou e me chamou para comer uma pizza na casa dele. Tentei argumentar que estava tarde apesar de ainda não passar das 20h. Ele então perguntou se eu estava com medo dele. Veio com um papo bem idiota de que não tem nada de mais comer pizza na casa de um amigo e não pega mal pra ninguém, afinal nós dois éramos solteiros...

sábado, 5 de maio de 2012

Estudar, trabalhar, militar

     Entrei numa onda completamente doida de estudar e militar no partido político. Minha vida acabou virando uma loucura com tantas reuniões e encontros para discussões e organização de atos e lutas. Fora a correria com a quantidade absurda de matéria que os professores davam em sala de aula. Alguns trabalhos valendo nota me fizeram perceber que meu desempenho estava caindo. Estava complicado acompanhar o ritmo. Livros da faculdade para ler, artigos e textos políticos, jornais, revistas... E ainda tinha meu estágio que mesmo sendo razoavelmente tranquilo, não me dava tempo para muita coisa durante o dia. Trabalhava também aos fins de semana as vezes e a primeira matéria a avisar que eu precisava focar nos estudos foi a maldita contabilidade. Como odiava aquilo! O professor não colaborava em nada e naquele segundo semestre percebi que talvez só um milagre me ajudasse. Nem ele parecia compreender os números. Nenhum balanço nos meus exercícios batia e eu tinha vontade de chorar em todas as aulas! 
     Surgiu a ideia e possibilidade dentro do partido de inaugurarmos a secretaria "GLBTT" na cidade. Com apoio da nacional, poderíamos criar um grupo e começar a militar mais ativamente. No início seria também uma possibilidade de abertura para a discussão sobre a homossexualidade. Tomando cuidado para não perder o foco com futilidades ou assuntos que não agregassem muito ao movimento em si. Tínhamos no partido dois gays e duas lésbicas assumidos e prontos para dar início à batalha. E confesso que estava muito motivado e feliz com a possibilidade de fazer parte de algo que fosse de fato relevante e tão necessário à sociedade. Lutar em nome de pessoas como eu. Enquanto permanecia sobrevivendo à minha rotina particular e com a criação da secretaria para me dedicar, o coração começou a sossegar. A fixação por meu primeiro amor começou a diminuir ou a me enganar. Talvez o encantamento pela política fosse tão grande que sequer sobrava tempo para lembrar ou sofrer por ele. Me contaram que entrou na academia. Arrumou tempo para malhar mesmo com o trabalho estafante. Enquanto esteve comigo sequer trabalhava e se dizia ocupado o tempo todo. Muita desculpinha cretina...

terça-feira, 1 de maio de 2012

O partido político

     Decidi fazer outra visita ao partido e me colocar a par de toda informação possível sobre idéias e visões políticas. Principalmente no que se refere ao movimento gay. E após a segunda, outras se sucederam. Passei a gostar de discussões e participar ativamente de movimento estudantil e todas as outras lutas em comum. Assim como os negros e as mulheres, os homossexuais têm que lutar, sem tréguas, para conquistar seu espaço. Para o partido, a luta contra a opressão homossexual é parte de um combate para construir um mundo onde os preconceitos e as discriminações sejam varridos da sociedade. Algumas considerações me tornaram militante:
     A luta pelo fim da discriminação e do preconceito aos homossexuais em todas as instâncias da vida social: locais de trabalho, estudo e moradia, instituições civis ou militares, sindicatos e organizações partidárias; o direito de organização e expressão dos homossexuais e combate à todo e qualquer ataque que seja feito pelo governo, seus órgãos de repressão e as instituições que lhe dão sustentação, como a Igreja e o Exército. E neste sentido a criação de fóruns municipais, estaduais e nacional de defesa dos direitos homossexuais, onde estes possam contar com o apoio jurídico e político que for necessário; denúncia quanto a difusão de estereótipos anti-homossexuais nos meios de comunicação; todos os direitos civis e trabalhistas; a discriminação aos portadores da Aids e a maneira como a doença é tratada; a inclusão da discussão da diversidade e orientação sexual na educação e o total repúdio a qualquer tipo de violência e repressão praticados contra homossexuais. 
     Me senti a vontade muito rapidamente para lutar por questões ligadas ao movimento gay, além de começar com uma certa especulação, discussão e manifestação na faculdade em nome do movimento estudantil ativo e militante. Pouco a pouco fui entendendo questões complexas sobre a atual situação do país e do mundo em todas esferas sociais, políticas e econômicas. Começava a achar que havia nascido para aquilo!