Entrei numa onda completamente doida de estudar e militar no partido político. Minha vida acabou virando uma loucura com tantas reuniões e encontros para discussões e organização de atos e lutas. Fora a correria com a quantidade absurda de matéria que os professores davam em sala de aula. Alguns trabalhos valendo nota me fizeram perceber que meu desempenho estava caindo. Estava complicado acompanhar o ritmo. Livros da faculdade para ler, artigos e textos políticos, jornais, revistas... E ainda tinha meu estágio que mesmo sendo razoavelmente tranquilo, não me dava tempo para muita coisa durante o dia. Trabalhava também aos fins de semana as vezes e a primeira matéria a avisar que eu precisava focar nos estudos foi a maldita contabilidade. Como odiava aquilo! O professor não colaborava em nada e naquele segundo semestre percebi que talvez só um milagre me ajudasse. Nem ele parecia compreender os números. Nenhum balanço nos meus exercícios batia e eu tinha vontade de chorar em todas as aulas!
Surgiu a ideia e possibilidade dentro do partido de inaugurarmos a secretaria "GLBTT" na cidade. Com apoio da nacional, poderíamos criar um grupo e começar a militar mais ativamente. No início seria também uma possibilidade de abertura para a discussão sobre a homossexualidade. Tomando cuidado para não perder o foco com futilidades ou assuntos que não agregassem muito ao movimento em si. Tínhamos no partido dois gays e duas lésbicas assumidos e prontos para dar início à batalha. E confesso que estava muito motivado e feliz com a possibilidade de fazer parte de algo que fosse de fato relevante e tão necessário à sociedade. Lutar em nome de pessoas como eu. Enquanto permanecia sobrevivendo à minha rotina particular e com a criação da secretaria para me dedicar, o coração começou a sossegar. A fixação por meu primeiro amor começou a diminuir ou a me enganar. Talvez o encantamento pela política fosse tão grande que sequer sobrava tempo para lembrar ou sofrer por ele. Me contaram que entrou na academia. Arrumou tempo para malhar mesmo com o trabalho estafante. Enquanto esteve comigo sequer trabalhava e se dizia ocupado o tempo todo. Muita desculpinha cretina...

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