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sábado, 2 de junho de 2012

Um Rocker Belo

     O que nos leva a entrar em sala de bate papo? Que tipo de carência? Há quem arrisque dizer que quer fazer amigos, conversar e ver o que rola. Quem diz isso na verdade quer sexo. E quem diz que quer sexo realmente quer sexo. Mas tenho a impressão que a coisa fica cada vez pior. Além de querer putaria, as pessoas tem pressa. Quando conheci um garoto que parecia ter papo agradável e paciente, não tive medo de ir marcar outro encontro. Morava em um bairro próximo e era maior de idade. Papo bacana, inteligente e simpático. Combinamos de nos encontrar ao vivo. Fugindo do clichê virtual e ainda na pressa de nos encontrarmos logo pra não correr risco de desanimar ou achar alguém mais interessante. Nessa época ainda era possível encontrar isso.
     Marcamos para o dia seguinte em uma pracinha próxima ao hospital municipal da cidade, às 20 horas. Nos encontrar, conversar e realmente ver o que rolaria e se rolaria algo. Me arrumei, sai de casa todo cheiroso. Menti pra minha mãe e peguei ônibus para ir ao encontro. Já lá na pracinha pensei em esperar sentado, mas seria muito desagradável. Estava ansioso demais pra ficar parado. Fiquei disfarçando e em menos de três minutos o avistei. Não havia mostrado nenhuma foto e seria tudo surpresa. Características pessoais são fundamentais para um encontro desse tipo. E quando me disse para procurar ou esperar alguém com cabelo loiro, não imaginei que era amarelo tipo cantor Belo antigamente. Choque. Não esperava uma versão rocker. Realmente disse que gostava de rock e usava piercing, mas não tantos! Um no queixo, um no lábio, um na língua, um na sobrancelha e uns 5 em cada orelha! Foi o que consegui contar. Só não perdi totalmente o tesão de conversar com ele pra não ser deselegante de cair fora logo de cara. Diria que não havia gostado, depois de uma conversa básica e tudo estaria resolvido.
     Mas não foi bem isso que aconteceu. Me conquistou com a conversa o garoto! Foi legal, agradável! Demos risada de coisas engraçadas e de coisas sem graça nenhuma. O encontro durou aproximadamente uma hora. Foi uma hora inteira andando pelo bairro e não dava pra ir embora com um mero tchau. Beijamos sim. Foi interessante beijar alguém que usa piercing na língua. Tivemos que descer umas escadas escuras, por trás de uma fábrica pra ficarmos minimamente protegidos de algum xingamento ou pedrada. Próximos a rodovia que corta a cidade, mas se alguém fosse fazer qualquer coisa, dava tempo de correr. Beijamos, nos abraçamos e o cara foi carinhoso. Não forçou a barra e me fez acreditar que não estava a procura de sexo por sexo. Nos despedimos pouco depois e após entrar no ônibus de volta pra casa, me perguntei se haveriam mais brincos, piercings ou alargadores em outras partes do corpo dele. Trocamos telefone, mas eu decidi que não ligaria. Iria esperar. Trocamos msn, mas ele nunca me adicionou. Disse que não costumava usar. Poker face.

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Não era o cara mais lindo do mundo, mas era bonito sim. Tinha seu charme.

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  2. Comigo já aconteceu o oposto. E aliás, sem necessidade nenhuma.
    Há uns 12 ou 13 anos atrás, na época em que a G Magazine tinha um serviço de correspondência de cartas, eu me inscrevi lá. E das várias cartas que recebi, conheci um garoto de 18 anos aqui do Rio, com quem me encontrei.
    Na 1ª vez em que a gente se viu pessoalmente, deixei claro pra ele que eu queria antes de mais nada uma amizade. E ele pareceu corresponder, deixando claro que também queria um relacionamento sério, se rolasse isso entre nós.
    Nesse 1º encontro, a gente só conversou na porta de um shopping aqui no Rio. Mas na 2ª vez em que a gente se encontrou pessoalmente, e aí a gente transou, foi também e última vez em que a gente se viu.
    Ele nunca mais me ligou, eu liguei pra ele umas 2 ou 3 vezes e, 1 mês depois, liguei pra dar uma decisiva nele (já que ele disse que queria amizade ou, talvez, namoro) e perguntei quando a gente podia voltar a se ver, pra ele me explicar qual era a dele. E ele respondeu:

    ´´Sei lá... Um dia aí...``

    Depois que ouvi isso, foi a última vez que tentei entrar em contato com ele. Mas só não entendi uma coisa: por que ele fingiu que queria me namorar e/ou ser meu amigo? Se ele queria só sexo, era só me avisar, que eu também topava numa boa. Não precisava armar esse teatro todo.

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    1. Pois é Leo, não entendo as pessoas que usam essa tática de buscar falso namoro. Se quer sexo uma vez, ok. Transou e não gostou, acha que não rola mais, fala ué... Paga de sincero e acaba com filminho torrado e fama de biscate!
      Como você disse, arma o circo e a gente faz o papel de palhaço.

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  3. Que história linda! Fiquei imaginando a fuga dos olhos alheios e a sensação de estar protegido do flagra. E o beijo é a coisa mais romântica que se pode ter de um ser, ainda mais sob essas circunstâncias. Pena que o "mercado da alma humana" não perceba isso e descarte qualquer tipo de relacionamento mais sólido e duradouro. No fundo, acho que é o que todos queremos e idealizamos, pena que não seja assim no real.

    Uma linda história, realmente!

    (adoro ler seus relatos, dão vivacidade aos meus pensamentos)

    Um forte abraço!

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