A luz permaneceu apagada e apenas um pequeno feixe de luz vindo da televisão ligada na sala invadia o lugar. Ele começou a mexer no aparelho de som ao lado da cama enquanto eu comecei a ser dominado novamente pelo pânico. Senti medo outra vez do desconhecido. Não sabia o que falar, o que ou como fazer? Precisava apenas me segurar pra não falar besteira e parecer idiota. Isso eu sabia. De repente uma música começou a tocar baixinho como se estivesse abençoando nosso encontro. No mesmo instante percebi que aquela canção tão doce seria a trilha sonora do nosso amor. Tocava tribalistas.
Procurei relaxar. Logo que deitei na cama ele deitou-se por cima de mim. Sempre me beijando delicadamente. A música, o seu cheiro, o beijo, tudo me hipnotizava. Lentamente fomos terminando de nos despir. Quando o vi pela primeira vez de cueca delirei. O toque da pele, os músculos, todo seu corpo junto ao meu incendiava. Meus hormônios explodiam. Fiquei muito excitado. E aquele volume tão maravilhoso dentro de sua cueca começou a parecer maior, como se pedisse para sair dali. Dominados pelo desejo pelo outro, tirei sua cueca e logo fiquei também sem a minha. E que delícia era sentir o corpo daquele homem. Quente e macio. Agora era ele que estava deitado e enquanto beijava seu corpo, fui descendo até sentir seu pênis rijo encostar em meu queixo. Beijei-o e sem nenhuma censura ou medo, fiz sexo oral nele. Não me importava se fazia direito, apenas curtia o momento e sabia que ele também estava sentindo prazer. Ele também me beijou, me lambeu, me chupou e me fez sentir absolutamente amado. E que delícia era aquela sensação! Outra vez tomei a iniciativa de explorar outras parte de seu corpo. Passei a acaricia-lo, mas foi diferente. Dessa vez foi ele que enrijeceu todo o corpo. Ficou tenso e tentei ser mais delicado ao tocá-lo. Não senti muito progresso com isso. Nós dois estávamos nervosos. Então o abracei e depois de um beijo profundo perguntei se poderia penetrá-lo. A resposta veio rápida e negativa. Se esquivou um pouco dizendo que não tinha levado camisinha. Mas eu fora esperto. Expliquei logo que levara uma comigo e quando fui pegá-la ele me segurou dizendo que não queria. Não naquele momento. Perguntei se queria penetrar em mim e veio mais uma negativa. Percebi que não deveria mais insistir. Fiquei frustrado, mas entendi que pra que tudo rolasse, nós tinhamos que estar mais que apaixonados. Era preciso tranquilidade, confiança e amor.
O clima esfriou. Não houve sexo, não houve penetração. Poucos beijos e apenas um abraço. Adormeci enlaçado por ele. Sentindo sua respiração ofegante tranquilizar devagar. Não sei exatamnete quanto tempo dormi até ele me acordar e chamar para um outro quarto. O cd havia parado de tocar e ainda meio sonado o acompanhei. Não entendi direito a razão, simplesmente o segui obediente. No outro quarto não havia rádio, mas era também muito confortável. Deitamos na grande cama de casal e permanecemos em silêncio. Nem um toque, nem um beijo e milhões de pensamentos atropelando uns aos outros na mente confusa. Me senti rejeitado e não conseguia mais uma aproximação. Muito tempo depois, acordados e praticamente imóveis, comecei a imaginar se já estaria perto de amanhecer. Como seria ao acordar, ou quando desse a hora de ir embora? Acho que imaginei tão alto que ele conseguiu ouvir. Fez leves carícias em meus dedos antes de segurar minha mão e me abraçar novamente. Adormeci logo em seguida.